De pai para filho. É dessa forma que algumas tradições percorrem, mesmo que de forma mais restrita e exclusiva, gerações e mantêm suas histórias vivas. Esse é o caso da Companhia de Reis Estrela Dalva, que já completa 178 anos.
“Meu avô começou com o grupo em 1885; estamos na terceira geração. Essa companhia de reis é só da família. Pelo o que o meu avô contava, ela tem 178 anos. Meu avô morreu com 110 anos. Meu pai ficou com a bandeira e agora está comigo”, explica o agente de turismo Nelson Souza Ferreira, 72 anos, à frente do grupo há 38 anos.
Ferreira explica que a bandeira original do grupo, inclusive, foi um presente que seu avô ganhou de Getúlio Vargas. Hoje, ela está preservada, num quadro, na sala da casa de Ferreira. A nova bandeira, com motivo religioso, ostenta fitas com vários pedidos e enfeites.
Atualmente, o grupo de Folia de Reis conta com 14 integrantes, entre foliões (que podem ser apenas membros familiares) e outras pessoas da comunidade, sendo que sua formação já teve 18. De acordo com Ferreira, seu filho mais novo, ou outro membro da família, poderá continuar com a tradição familiar. Sua neta também já integrou alguns festejos.
Festas
Folia de Reis é uma manifestação cultural, de natureza católica, que se classifica no Brasil como uma tradição do folclore. Na companhia, cada um assume um papel, como o festeiro, mestre e guardião da bandeira. De acordo com o folião, o grupo é de folia mineira, diferente da baiana.
Todos os anos, Ferreira organiza uma festa anual para celebrar a visita dos três Reis Magos ao menino Jesus. O evento é sempre aberto à comunidade. Nas duas últimas edições, foi realizado no dia 6 de janeiro (Dia de Santos Reis). No próximo ano, ele pretende fazer no dia 25 de janeiro.
A festa é organizada com doações e são oferecidas bebidas e comidas. Rezam-se o terço e cantam na celebração. Antigamente, para angariar dinheiro e mantimentos para o evento, a companhia ia para as ruas. Hoje, eles não têm mais essa rotina.
Ferreira afirma que, mesmo sem ter apoio da administração municipal ou falta de interesse dos mais jovens, ele vai continuar fazendo o que seu pai e avô faziam.
“A cultura está acabando. O jovem não quer saber disso. Tem grupos de Folia de Reis que têm incentivo, pagam as pessoas nas apresentações. Mas a Folia de Reis para mim é tudo. Não existe coisa que eu tenha pedido até hoje que não tenha sido realizada”.
