Cultura

Jornalista de Araçatuba lança primeiro livro de contos

O lançamento acontece nesta semana, no dia 23 de março, em São Paulo 

Manu Zambon  - Hojemais Araçatuba 
18/03/19 às 17h36
Rafaela Tavares nasceu em Araçatuba e viveu no Japão por 12 anos; livro mistura elementos do cotidiano com acontecimentos estranhos (Foto: Manu Zambon)

Com um livro de contos que misturam fatos comuns do cotidiano, com eventos estranhos, percorrendo caminhos do impressionismo e maniqueísmo, a jornalista Rafaela Tavares Kawasaki, de 31 anos, lança a sua primeira obra, “Enterrando Gatos”, pela editora Patuá.

O lançamento acontece neste final de semana, no dia 23 de março, às 19h, em São Paulo. O local do evento será o Patuscada – Livraria, Bar e Café, espaço da própria editora. Em Araçatuba (SP), o evento que marca a estreia está previsto para acontecer no dia 14 de abril, na Oficina de Macacos, com entrada franca. O horário ainda será divulgado.

O livro é composto por sete contos, que começaram a ser escritos por Rafaela entre 2017 e 2018, e ganhou reescrituras em 2019.  Na época, o País passava por pré-eleição, assassinato da vereadora Marielle Franco, no Rio de Janeiro, e a arte estava sendo julgada como depravada.

De acordo com a jornalista, o fato de contar histórias de ficção não se limita a apenas relato puro e dessa forma acaba recebendo a influência do contexto social. “(...) e o nosso é marcado pela passividade diante do absurdo, e explosões de violência. Os contos têm um pouco disso.”

“Comecei a escrever os contos sem pensar em uma antologia e eu vi que eles tinham pontos em comum (...). Os contextos são bem diferentes, só que depois eu percebi que eles tinham em comum alguns reflexos dos momentos que estamos vivendo, que são momentos de conflitos, de maniqueísmo, de linchamento, de uma empatia seletiva e passividade de pessoas que estão observando ou que poderiam interferir e às vezes se seguram”, complementa.

Estranheza

Ela cita a primeira história, que recebe o nome “Porcelana”. Segundo Rafaela, o texto retrata bem o clima e as reflexões que os seus contos querem provocar no leitor. No relato, uma menina que pratica furtos e vê nos objetos sua válvula de escape para as suas próprias frustrações.

“Essa menina escuta uma coisa muito ruim sobre ela de uma tia (ela está na casa da tia). Então ela quase derruba um elefante de porcelana, mas ela consegue pegar ele. E quando ela pega o objeto, ela furta e o destrói. Quando ela faz isso, sente como se estivesse destruindo tudo de ruim, tudo o que ela se reprime. Ela continua praticando esses furtos”, explica a autora.

A jornalista destaca também o conto “Bolinha”, que mostra o dia em que dois irmãos saíram de casa sozinhos para buscar um cachorro perdido.  “Eu trabalho todo o pensamento deles, quase um fluxo de consciência, mas tento usar linguagem simples. E o jornalismo me ajuda nisso. O impressionismo entra nesse conto para enfatizar uma linguagem mais poética, mostrando não exatamente o que eles estão pensando ou vendo, ou para criar uma imagem pra representar”, ressalta Rafaela.  

Outra história é a que dá nome ao livro. Nela, a mãe se recorda de uma situação que a fez ter medo do próprio filho. O menino aparece em casa com gatos mortos e, em vez de confrontá-lo, ela quer protegê-lo. Então, enterra os gatos para que o marido não tome conhecimento do fato. Passado algum tempo, a mãe nutre o medo pelo filho, e no contexto atual do conto, ela resolve abandoná-lo num parque de diversões, diz a autora.

Livro que começou a ser produzido em 2017, possui sete contos (Foto: Divulgação)

Influências

“Eu gosto de misturar essa questão de escrever uma situação em que o leitor se identifica, que está no dia a dia dele, e colocar algum elemento que seja estranho”. O trabalho também permeia entre dois tempos, passado e presente, como se fosse um flashback dos personagens. Não há menção de cidades específicas nos contos. Os relatos se passam no Brasil atual, porém outros são ambientados nas décadas de 1950, 1980 e 1990.

A maioria das histórias é protagonizada por mulheres e crianças, fazendo emergir relatos de perda de inocência. Todos os protagonistas têm seu lado psicológico revelado e explorado, uma característica influenciada pelo escritor e filósofo Fiódor Dostoiévski  1821 - 1881), de acordo com Rafaela. A jornalista ainda destaca as influências recebidas pelas escritoras Lygia Fagundes Telles e Alice Munro, do autor japonês Haruki Murakami.


Sobre a autora

A escritora nasceu em Araçatuba em 1987, mas foi criada no Japão, onde passou 12 anos. É formada em comunicação social com habilitação em jornalismo e começou a trabalhar com escrita em 2011, quando iniciou estágio na Folha da Região.

Rafaela foi finalista do “Prêmio Santander Jovem Jornalista”, realizado pelo jornal O Estado de S. Paulo, em 2014. Atualmente trabalha como assessora de imprensa no Unitoledo (Centro Universitário Toledo).  

A obra pode ser comprada nos sites da editora Patuá e na Amazon .   


SERVIÇO

Lançamento “Enterrando Gatos”, de Rafaela Tavares Kawasaki

Dia 23 de março

Às 19h

Patuscada – Livraria, Bar e Café (rua Luís Murat, Pinheiros, São Paulo)

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