O livro “Uma Jornada Pelos Mistérios do Cérebro Musical”, nascido da parceria entre o neurocirurgião Rodrigo Mendonça e o neurocientista e educador musical Daniel Freitas, de Araçatuba (SP), será lançado nesta sexta-feira (1º), às 19h, n´O Quintal Cultural. A entrada é gratuita.
Em seguida, às 21h, tem apresentação com a banda Rádio 84, com Daniel Freitas (bateria), Juninho Moreira (guitarra), Rodrigo Mendonça (guitarra), Fabinho Messias (vocal), Christian Freitas (teclados e sintetizadores) e Henrique Pereira (contrabaixo).
Segundo Mendonça, o livro foi fruto de pesquisas e vivências com pacientes portadores de doenças neurológicas e que tiveram impacto em sua musicalidade de alguma forma. “Além do nosso desejo em conhecer melhor a inter-relação entre a música e o cérebro”, conta o neurocirurgião. A obra é destinada ao público em geral.
A pesquisa, organização de material e produção durou cerca de quatro anos até a finalização da obra. Integram o livro entrevistas realizadas com educadores, músicos, alunos, pacientes, apreciadores e demais pessoas ligadas à temática, de Araçatuba e de outras cidades, como Bauru, São Paulo e Franca, destaca Freitas.
“A música tem um poder enorme, mexe com a estrutura do cérebro, age na estrutura de neurotransmissores. Tem o poder de cura”, ressalta Freitas. Ele também explica que a música afeta diretamente o núcleo emocional do cérebro, chamado de sistema límbico.
Casos
O livro traz vários casos de pacientes, que ajudam a relacionar a música com a cognição. Para exemplificar essa influência, Mendonça conta sobre um caso recente, onde a paciente, uma menina de 17 anos, sofreu trombose cerebral devido ao uso de anticoncepcional. A hemorragia, que foi do lado esquerdo, afetou a linguagem, tanto a falada quanto a escrita.
“O mais impressionante é que ela gostava muito de música. Então quando ela vai cantar as músicas que ela gosta, ela canta totalmente normal. Fala frases inteiras, palavras completas. Não erra nada. Então os pais fazem ela cantar o dia todo, porque isso está estimulando a recuperação dela”, afirma Mendonça.
“A música, a gente tem como sítio principal da localização no cérebro o lobo temporal à direita. Por isso, quando ela vai cantar, não há transtorno na linguagem cantada”. Mendonça explica que o lado direito do cérebro é relacionado às emoções, enquanto o esquerdo é a racionalidade. “Nisso a gente advém que a música é diretamente ligada ao estado emocional. Por isso a música nos conforta, alegra”. Segundo o neurocirurgião, mesmo a história não estando no livro, é um dos exemplos mais bonitos que mostram a relação da música com o cérebro.
Formação
Rodrigo Mendonça é formado pela Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pelotas (RS), neurocirurgião formado pelo Hospital do Cristo Redentor, em Porto Alegre, membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia e músico pela Ordem dos Músicos do Brasil do Rio Grande do Sul.
Daniel Freitas é educador, músico, compositor, escritor e produtor de eventos culturais, graduado em educação musical pela Faculdade Metropolitana de Santos e pós-graduado em neurociências. Professor, dosimetrista e técnico em radioterapia. Foi presidente da Alma (Associação Livre dos Músicos de Araçatuba) por dois mandatos. Também é autor do livro “O cajon, suas histórias e seus sons”, lançado há dois anos.