O escritor e jornalista Fred Di Giacomo, natural de Penápolis (SP), evidencia, mais uma vez, a região noroeste. Com a obra Desamparo, lançada no meio do ano passado, Giacomo é um dos finalistas da 12ª edição do Prêmio São Paulo de Literatura, conhecido como um dos maiores do País em premiação individual para o gênero.
O prêmio é dividido em duas categorias: “Melhor Romance de Ficção do Ano de 2018” e “Melhor Romance de Ficção de Estreia do Ano 2018”, que é onde Giacomo concorre. Os dois ganhadores levarão como prêmio R$ 200 mil e representarão o Brasil no México.
No total, concorrem ao título 175 obras. A cerimônia de premiação está prevista para acontecer no final deste ano.
Ao Hojemais Araçatuba, ele comenta sobre a importância de concorrer ao título. Para o escritor, ganhar essa visibilidade acaba contribuindo para sua realização pessoal e abrindo portas para que ele seja mais reconhecido e valorizado no meio literário e entre os leitores.
Elitista
“Você ser finalista de um dos maiores prêmios do Brasil é um reconhecimento. Abri mão de trabalhos como jornalista. Desamparo foi escrito quando pedi demissão do cargo de roteirista do programa ‘Conversa com Bial’, da Rede Globo”, conta.
Giacomo ainda relata a dificuldade de ganhar destaque no mercado editorial, uma vez que saiu do interior rumo à São Paulo sem conhecer profissionais da área. “A literatura no Brasil é uma das coisas mais elitistas no País. Então, quando não é da elite intelectual brasileira, onde as pessoas já se conhecem, estudaram nos mesmos colégios e faculdades, as portas estão sempre fechadas. (...) Os próprios leitores começaram a comprar meu livro agora, porque é finalista do prêmio”, detalha.
Desamparo
O romance, que é o primeiro de Giacomo, parte da história de duas famílias importantes para o povoado, que mais tarde veio a ser transformado em Penápolis. Na obra, a cidade tem o mesmo nome do livro.
Nesse contexto, a obra evidencia a história da colonização na região noroeste paulista, envolvendo também acontecimentos que influenciaram na fundação de Araçatuba e Bauru.
O interessante do livro é como tudo isso é relatado pelo escritor, que escolheu contar a história mostrando a versão dos índios caingangues e os oti-xavantes.
Para isso, o autor conta que consultou livros raros e materiais disponíveis na biblioteca municipal, Museu Histórico e Pedagógico Fernão Dias Paes, o Museu do Folclore e 1ª Casa, todos em Penápolis, além de ter tido acesso a teses de mestrados, doutorados e trabalhos de conclusão de curso, entrevistas com pioneiros da região e ter conversado com moradores antigos.
Europa
Atualmente, o escritor mora na Alemanha e aproveita para divulgar sua literatura pelo velho continente. Desamparo foi destaque em março na 6ª edição da Primavera Literária Brasileira (Printemps Littéraire Brésilien, em francês), realizada na França, além de ter sifo lançado em Berlim.
O escritor ainda participou, em outubro deste ano, da Feira do Livro de Frankfut, que abriu espaço na programação para debater o tema “A arte em tempos de Bolsonaro”.
Giacomo é uma das novas promessas da literatura no Brasil, ganhando destaque na grande mídia nacional e internacional com o Desamparo.
Seu lançamento no mercado editorial foi em 2012, com o livro de contos “Canções para Ninar Adultos”. É autor também de Haicais Animais, inspirado nos antigos poemas japoneses de três linhas, Guten Appetit, Felicidade Tem Cor e Guia Poético e Prático para Sobreviver ao Século XXI.