Cultura

Projeto lança exposição em homenagem às praças de Araçatuba

Araçapraças, realizado pelo fotógrafo Devair Muchiutti e a artista visual Fernanda Russo, conta com registros fotográficos de dez praças de Araçatuba, por meio de processo de cianotipia; trabalhos já podem ser conferidos pela internet

Manu Zambon - Hojemais Araçatuba
06/12/22 às 21h30

Desde o dia 1º de dezembro, Araçatuba conta com a exposição fotográfica do projeto “Araçapraças”. Para ver os trabalhos, a população pode acessar gratuitamente pelo site aracapracas.art.br  ou pelo canal do youtube espacoculturalfabricadaarte . O lançamento faz parte das comemorações de 114 anos do município. 

O projeto também pode ser acompanhado por meio do perfil no Instagram ( @aracapraças ). 

As primeiras etapas do trabalho começaram em abril deste ano, com o registro fotográfico de dez praças da cidade, sendo elas:  Rui Barbosa, Getúlio Vargas, João Pessoa, Seisaburo Ikeda (Guanabara), São João, Sakusuke Nó, São Joaquim, João XXIII (Paraíso), Carlos Soares de Castro ( da Fumaça), e Nove de Julho ( da Câmara de vereadores).

No total, o projeto produziu seis imagens em cada uma das praças, chegando a 60 registros.

O projeto é realizado pelo fotógrafo Devair Muchiutti e a artista visual Fernanda Russo, por meio do edital 001/2021 da Secretaria Municipal de Cultura, na categoria Exposição Inédita de Artes Visuais. 

Para realizar os registros, eles escolheram a cianotipia, técnica de impressão fotográfica artesanal, que fornece imagens em tons de azul, sendo o grande diferencial a não utilização dos tradicionais sais de prata para produzir as imagens. São utilizados sais férricos, que ao entrar em contato com a luz UV se transformam em imagens permanentes.

Como parte das atividades, os idealizadores também promoveram, em novembro, uma oficina para alunos de escolas da cidade.

Praça do Guanabara

(Foto: Divulgação)

De acordo com Fernanda, os idealizadores selecionaram as praças mais conhecidas do município, já que não daria para fotografar todas. Partindo disso, além dos registros, Fernanda e Devair também quiseram acrescentar ao projeto dados de cada praça, ou seja, alguma história que envolva o local, curiosidade, entre outros fatos, que pudessem despertar o interesse das pessoas. 

Os artistas levaram dois meses fotografando os espaços, durante os finais de semana. Além de utilizarem seus equipamentos tradicionais, também usaram drones para imagens aéreas.

O primeiro local foi a praça Rui Barbosa, mas a praça que mais chamou a atenção de ambos foi a Seisaburo Ikeda, localizada no bairro Guanabara, que por mais de 20 anos, recebeu os cuidados de Zoraide Marques Almeida, conhecida como dona Zô, falecida em 2019. 

" A praça do Guanabara é um encanto. Espaço muito agradável, não tinha sujeira, só folhas, coisas da natureza, diferente de algumas praças. Foi o lugar de mais encantamento, de fotografias mais sentimentais, se é assim que posso dizer. Algo que trouxe bastante leveza ", conta Fernanda.

" Fazer o registro fotográfico das dez praças para o Projeto Araçapraças foi gratificante. Na correria do dia a dia, em algumas praças, só passamos em frente de carro e nem nos atentamos. O que me chamou atenção é que eu pensava que praças fossem todas iguais, mas na verdade cada uma tem seu projeto arquitetônico e suas peculiaridades, inclusive, a praça do bairro Guanabara é a que eu gostaria de destacar, pois uma senhora cuidou desta praça por muitos anos voluntariamente, e hoje, embora possua algumas folhagens caídas no chão, as estruturas físicas permanecem intactas. Penso que o exemplo que ela deixou esteja imperando ainda pra mantê-la assim e também a tranquilidade que esta praça me transmitiu ", explica Devair.  

Exemplo negativo 

Porém, algumas praças tiveram o efeito diferente em Devair, durante o processo. Nesse sentido, ele destaca a praça São Joaquim, no Centro.

" Fizeram uma escultura de uma bíblia e instalaram no meio da praça e para minha surpresa, foi necessário fazer uma grade de ferro para proteção com cadeado. A população também tem que contribuir para que todos possam fazer uso. Hoje, temos todo o conforto em casa, TV em tamanhos cada vez maiores, ar condicionado, canais de streaming para assistir filmes e séries, mas penso que as praças ainda são espaços para convivência, prática de esportes e um canal para divulgação de eventos e artes, por isso nosso foco foram as praças da cidade através do processo artesanal de impressão fotográfica cianotipia ", completa Devair. 

Fotos aéreas 

Outros dois fatores que chamaram a atenção durante o processo, é o próprio recurso utilizado, de cianotipia, e as imagens feitas pelo drone, que foram capazes de revelar um ângulo novo desses locais. "Uma coisa que acho interessante é que algumas fotos aéreas oferecem traçados que a gente desconhece. Algumas oferecem árvores, vegetação, outras a gente presta atenção no traçado, na calçada", frisa Fernanda.

" Destaco ainda o processo como um todo, que despertou uma nostalgia na gente. Fez lembrar de algum período da vida, da infância. A cianotipia traz nostalgia, essa aparência antiga, pois era um processo do final do século 19. Então, traz essa característica por ser monocromática. Assim, a gente vê a fotografia como um todo, sem interferência das cores. Essa era a intenção, mostrar de uma maneira diferente, mostrar como registro antigo algo que é atual " , finaliza Fernanda.

Além da versão digital, os idealizadores apresentarão uma exposição física, com data ainda a definir para 2023.

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