Além das casas que se abrem para atender a demanda do rock, o que os músicos que integram o movimento têm a dizer sobre?
“De 10 anos para cá, ganhamos mais espaço pra tocar. Temos o público pra rock, mas é um público que oscila, não é garantido, como o sertanejo. Mas por mais que seja um público flutuante, é fiel no sentido de ter mais pessoas de fato prestando atenção na música. Quando alguém fala que adorou uma música ou prestou atenção num detalhe, faz valer tudo a pena”, frisa o contrabaixista Eduardo Martinez, da banda Breed .
O grupo representa o segmento grunge no município desde 2015, fazendo cover do Nirvana. Além das músicas conhecidas na voz de Kurt Cobain, o grupo formado por Martinez, Guilherme Melo (guitarra e vocal principal) e Juninho Silva (bateria) abriu o repertório para composições próprias. “Just one of us”, cuja letra é assinada por Melo, é o single que representa o som autoral dos músicos. Além do hit, a banda possui mais seis músicas autorais prontas (cinco em inglês e uma em português).
Além de Araçatuba, a Breed costuma levar o nome do município para outras cidades do interior, como Lins, São José do Rio Preto, Birigui e Bauru.
Em Araçatuba, Martinez explica que, mesmo ganhando mais espaço nos últimos tempos, o rock ainda encontra algumas dificuldades, principalmente na questão da divulgação. Para explicar sua afirmação, ele conta que esteve em uma exposição do Nirvana, em São Paulo, sobre a história da banda e do grunge. Lá, teve contato com uma cartilha que falava sobre as estratégicas que funcionaram e divulgaram o grunge em Seatle (EUA).
"Fazendo uma comparação esdrúxula com Seatle, Araçatuba tem bandas dispostas, existem casas de shows abertas, mas não existe uma mídia que faça essa ligação. Não que sem isso não possa crescer, porém, são coisas que facilitam essa escalada”.
O contrabaixista também é um dos organizadores do Festival Grunge, que neste ano completa a quarta edição e deve acontecer no dia 9 de novembro.
