“Pessoas talentosas, comprometidas e em equipe com o mesmo objetivo, quando você acredita, ninguém segura” . Essas são palavras do campeão olímpico Tande, que conquistou a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Barcelona em 1992 com seleção brasileira de vôlei, e esteve em Araçatuba (SP) na manhã de sábado (25).
Ele participou de um evento corporativo promovido pelo Sicredi, mas antes conversou com a imprensa e destacou a importância de estar preparado quando as oportunidades aparecerem. “Nós não éramos os favoritos em 92, nos tornamos favoritos porque estávamos bem preparados. Os adversários sentiram o peso” , disse, reforçando a importância de sempre focar no treinamento, no planejamento e capacitação da rotina.
Ele fez questão de frisar que acredita muito no ciclo de alta performance: planejamento, capacitação para ir para a performance. “Quando você salta isso, é muito difícil você chegar lá” , completou.
Performance
O ex-atleta citou como exemplo o próprio convite feito a ele para palestrar em Araçatuba, onde jogou quando representava a equipe do Banespa. Ele disse ter sido lembrado justamente por entregar performance no trabalho que executa, atendendo as expectativas do cliente agora como palestrante.
Tande considera importante poder falar para pessoas que querem entender sobre a cabeça do atleta e citou que no caso dele, não sentiu quando encerrou a carreira, fase que é considerada a primeira morte do atleta, justamente por ter se preparado para essa fase da vida.
Para isso, ele contou e que quando parou de jogar viu oportunidade e continuou investindo. Atualmente ele é empreendedor, tendo sociedade na rede de academias Bodytech e na rede de gastronomia do Spoleto. “Então eu não senti quando veio a morte do atleta, eu não senti essa diferença, que a grande maioria, quando faz essa transição, acaba sentindo o peso: o que que eu vou fazer agora? Ficou tarde” , comentou.
Para a vida
Segundo Tande, ele faz o paralelo do mundo esportivo com o mundo corporativo, onde tem disciplina, foco, resiliência, como construir equipes, como é o pensamento do atleta, como transformar isso e ser atual.
Para ele, no mundo atual, que é tecnológico, com inteligência artificial, startups, de algoritmos, é preciso se adaptar e se capacitar. Isso serve principalmente as mulheres, na visão do ex-atleta, pois ele considera que elas estão tendo uma grande oportunidade de mercado, diferentemente do que acontecia antigamente.
“Infelizmente o nosso machismo potencializava isso e realmente elas não cresciam, mas elas agora podem dar aula pra gente, se elas se capacitarem. É uma oportunidade para crescer juntos, eu acho que é fundamental” , declarou.
Redes sociais
Ao mesmo tempo em que destaca a influência positiva da tecnologia, Tande considera que o grande problema da atualidade são as redes sociais, que acabam tirando o foco dos atletas. Ele comentou que o aviso de uma simples mensagem na tela do aparelho quando se está desempenhando outra tarefa é o suficiente para tirar o foco.
Ao mesmo tempo, Tande entende que os próprios atletas ficam expostos nas redes sociais, onde fazem postagens sobre a rotina pessoal. Porém, destaca que não vê problema quando isso ocorre durante momentos de lazer. “O que eu não concordo é na hora da competição. Você vê um Messi, dentro da equipe, ele botando a parte de liderança dele e todo mundo indo atrás e ele falando: 30 dias nós somos a nossa família” , contou.
Segundo Tande, era assim que a seleção campeã olímpica em 1992 vivia. “Era assim que nós vivíamos e esse que é o diferencial que eu acredito: cara, esse é o nosso momento, 30 dias das nossas vidas para isso, para pegar o Olimpo” , reforçou.
Futebol
O ex-atleta citou como exemplo o fracasso de seleções consideradas favoritas na Copa do Mundo de futebol deste ano, que trabalharam mais o lado individual, priorizando o talento individual do que a equipe.
Ele explicou que a França contava com cinco grandes talentos individuais, mas ao enfrentar a Espanha, com uma equipe sólida, não conseguiu competir de igual para igual. “A mesma coisa a Argentina, dependendo do Messi” , argumentou.
Futuro
Para o campeão olímpico, o técnico Bernardinho, com a seleção de vôlei masculino, terá muita dificuldade, apesar der ser muito competente, devido à atual entressafra de atletas, que também acontece no futebol, na visão dele.
Ele entende que é preciso investir na capacitação de base, para formar principalmente ponteiros e levantadores. No caso dos levantadores, ele considera que há bons jogadores, porém, de baixa estatura.
“Hoje em dia, todas as equipes internacionais: Polônia, Russia, Estados Unidos, todos têm levantadores já acima de 2 metros. Para o voleibol, que a rede é 2,43 m, você precisa, senão você dá prejuízo” , comentou.
Já com José Roberto Guimarães, que comanda a Seleção Feminina de vôlei, Tande entende que teve a facilidade de encontrado uma geração talentosa e jovem e, com isso, acredita que a seleção brasileira de vôlei feminino irá brigar pelo pódio na próxima Olimpíada.
