Economia

Ciesp defende PEC que garante liberdade de jornada e negociação

"Modernidade trabalhista ou obscurantismo de uma proposta anacrônica? Sociedade espera uma resposta do Congresso"

Da Redação - Hojemais Araçatuba
31/05/26 às 19h58
Rafael Cervone é presidente do Ciesp e primeiro vice-presidente da Fiesp (Foto: Divulgação)

A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) 12/26, apresentada esta semana pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), representa um avanço expressivo, racional e civilizado nas relações de trabalho no Brasil, alinhando o País às práticas adotadas pelas economias mais desenvolvidas. A avaliação é de Rafael Cervone, presidente do Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) e primeiro vice-presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

“A nova proposição, ao contrário do conceito leviano que começa a ser difundido nas mídias sociais, não é patronal, mas sim de interesse de todos os brasileiros. É uma alternativa inteligente, democrática e equilibrada à PEC de extinção da jornada 6x1, aprovada na Câmara dos Deputados, marcada por forte viés de oportunismo eleitoral e completo distanciamento da realidade econômica e produtiva do nosso país e do mundo” , pondera Cervone.

Ele alerta: “Trata-se de uma proposta tóxica, que desrespeitou a inteligência de todos os que produzem e trabalham –empregados e empregadores–, ao impor um modelo engessado, anacrônico e prejudicial à economia, à sociedade, à geração de empregos e à inclusão social” .

Avanço

Segundo o presidente do Ciesp, a nova PEC em tramitação no Senado tem o mérito de garantir princípios fundamentais de liberdade econômica, diálogo e autonomia entre trabalhadores e empregadores, ao assegurar a soberania das negociações e a possibilidade de definição consensual da jornada de trabalho. “É um avanço significativo” , afirma.

A proposta altera o artigo 7º da Constituição Federal para permitir que definições sobre jornada e escala de trabalho sejam estabelecidas por acordo individual entre trabalhadores e empregadores, convenção coletiva ou livre pactuação contratual direta.

“Na prática, o texto amplia a margem de negociação sobre horários de trabalho, banco de horas e distribuição da carga horária semanal, preservando os limites constitucionais máximos de jornada já previstos na legislação” , salienta Cervone.

Para ele, a PEC 12/26 reconhece a maturidade das relações de trabalho. “Trata-se de ampliar a liberdade das pessoas para escolherem o modelo de jornada que mais se adaptem às suas vidas, renda e oportunidades do mercado. É uma medida compatível com o mundo contemporâneo, com as novas dinâmicas produtivas e com a necessidade de aumentar a competitividade do Brasil” , enfatiza.

A proposta também assegura, mediante a livre escolha dos trabalhadores, a manutenção de todas as normas vigentes da CLT, preservando o limite máximo de 44 horas semanais. De acordo com o presidente do Ciesp, “ao fortalecer a negociação e a autonomia contratual, a PEC cria condições para relações de trabalho mais modernas, flexíveis e eficientes, favorecendo tanto a produtividade das empresas quanto a qualidade da vida do ser humano, que é o fator mais relevante de todas as atividades econômicas” .

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