O Grupo Clealco, que possui unidades em operação em Clementina e Queiroz, divulgou o balanço da safra 2020/21, reportando lucro líquido histórico de R$ 69,3 milhões. Com a retomada das operações em Clementina, houve aumento no volume de moagem e na geração de caixa e EBITDA, sigla que se origina do inglês earnings before interest, taxes, depreciation and amortization, que nada mais é que o resultado da operação da empresa.
No período, o fluxo de caixa líquido gerado nas atividades operacionais foi de R$ 244,2 milhões, 12% maior do que em 19/20, e um EBITDA de R$ 429,7 milhões, com margem de 41,6%, ou seja, 17% superior ao exercício anterior.
A empresa também ampliou a moagem para 5,7 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, crescimento de 37% em comparação ao ciclo anterior. Foram produzidas 526 mil toneladas de açúcar e 151,6 milhões de litros de etanol, respectivamente 37,5% e 16,6% a mais do que na safra anterior.
Retomada
Em nota divulgada à imprensa, a Clealco informa que a retomada das operações na unidade de Clementina, em junho do ano passado, contribuiu para os resultados da safra. Segundo o que foi informado, ao retomar as atividades foram gerados 600 novos postos de trabalho, o que foi importante para a economia regional diante do cenário adverso provocado pela pandemia.
“Com uma gestão colaborativa, a confiança do mercado e o engajamento de cerca de 2,4 mil colaboradores diretos, a Clealco obteve, mesmo no contexto da pandemia, os seus melhores resultados históricos em 20/21, retomando a lucratividade do negócio e avançando em importantes aspectos financeiros que vinham sendo desafiadores nos últimos exercícios”,
ressalta o vice-presidente de Finanças e Tecnologia, Adriano Furtado.
Diretrizes
Ainda de acordo com o grupo, os resultados refletem as novas diretrizes estratégicas da companhia, implantadas após a nomeação do novo CEO, Gustavo Rodrigues, em janeiro deste ano. Ele já havia atuado na Diretoria de Operações.
“Estamos muito orgulhosos e realizados pelos resultados da Clealco em 2020/21. Não só por termos obtido números nunca vistos em 40 anos, mas principalmente pela forma como conduzimos a companhia na direção destes resultados, prezando em primeiro lugar pela segurança no trabalho, pelo cuidado e respeito com as pessoas, e por garantir a transparência, o profissionalismo e a ética nas relações, sempre com muita energia para colocar em prática o que foi planejado",
comenta em nota.
Ainda de acordo com Rodrigues, com estratégias operacionais, financeiras e comerciais assertivas, foi possível aproveitar as oportunidades e melhorar a performance do grupo, mesmo diante das adversidades.
“Tenho plena confiança de que estamos no caminho certo e que o time Clealco vai alcançar novas e maiores realizações”
, acrescenta.
A companhia informa que na safra atual tem alcançado resultados operacionais e financeiros superiores às expectativas previstas e vem avançando significativamente na solução de contingências tributárias.
Recuperação judicial
O Grupo Cleanco tem capacidade instalada para processar cerca de 10 milhões de toneladas de cana por safra é um dos mais tradicionais do setor sucroenergético brasileiro.
Além das unidades de Clementina e Queiroz, há ainda a usina em Penápolis, que está com as atividades suspensas. Na Safra 19/20, toda a cana-de-açúcar foi direcionada para a usina de Queiroz, uma vez que Clementina também teve as atividades interrompidas. Contudo, no ano seguinte, a unidade mais antiga do grupo teve as operações retomadas.
A companhia, que pediu recuperação judicial em 2018, teve aditamento ao plano de RJ aprovado em 2020 por 91% dos credores habilitados, medida fundamental para o alongamento do passivo total do grupo, que passou de 88% para 40% registrados no passivo circulante.
A empresa informa ainda que o direcionamento da unidade de Penápolis faz parte do plano de recuperação judicial, que vai até 2025.