O início
O CEO da empresa, Hugo Evandro Batista, 45 anos, acumula 21 anos de experiência no varejo. Antes de abrir a própria fábrica, atuou como representante de empresas como Casas Bahia, Magalu, Ricardo Eletro, B2W, Wallmart, entre outras.
“Quando ainda estava na representação, um diretor da Mobly deu a ideia de fazer um laboratório para desenvolvimento de produtos e me pediu dois modelos de sofá por mês para iniciar”, lembra Batista. O pedido fugia dos padrões da indústria moveleira nacional, que é considerada conservadora, com carência de lançamentos, mas se encaixava no perfil da Mobly, que era uma startup.
Batista criou dois produtos. Um não vendeu e outro, caiu no gosto do consumidor, com 211 peças comercializadas – o projeto inicial seria produzir 40 peças de cada modelo por mês.
Por ser final de ano (outubro de 2016), Batista não conseguiu encontrar fábrica que entregasse a encomenda. A sugestão de um fundador da Mobly foi que ele montasse uma. Em 30 dias, nasceu uma pequena indústria, em Araçatuba, que começou a fazer os sofás que tinha criado. “Vendemos 211, depois 420, 750, e os números foram aumentando absurdamente”, recorda.
Em Araçatuba, a fábrica tinha como meta a produção de 30 peças por dia, mas conseguiu atingir 25 peças/dia. A empresa já estava em cinco barracões para conseguir atender a demanda e surgiu a oportunidade de fazer uma fábrica de box baú (base de cama). Por isso, montou uma unidade em Birigui onde havia disponibilidade de grandes barracões desocupados por fábricas.
Olhar diferenciado
A proposta de atender uma startup era algo novo para Batista, pois esse tipo de empresa cria, testa e troca tudo muito rápido. Por isso, uma das filosofias da empresa era não empregar ninguém do setor de móveis, que tem perfil conservador.
Os primeiros contratados para a fábrica em Birigui eram do setor calçadista. Já na área de gestão, foram empregados profissionais da aviação, indústria mecânica, linha branca, entre outros setores, que segundo Batista, “têm margens pequenas e exige um olhar grande”.
Com o crescimento vertiginoso, houve a necessidade de uma melhoria de gestão. Foi quando Diego Gewehr, 35 anos, que é primo de Batista e hoje COO (diretor de operações) da Mundo Móveis, entrou no negócio. Era novembro de 2018.
Graduado em engenharia elétrica e eletrônica pela Unesp de Ilha Solteira, Gewehr atuou, por seis anos, na Infraero, onde desempenhou as funções de gerente e superintendente nos aeroportos de Brasília e Goiânia. Na estatal, teve a oportunidade de participar de uma consultoria (com uma das maiores do mundo no ramo) para reestruturação da gestão da empresa pública federal após o processo de concessão de aeroportos.
Essa consultoria foi primordial para a implantação de uma nova gestão da Mundo Móveis, que precisava ganhar escala.
Pandemia
Cerca de 85% da produção da Mundo Móveis hoje é sofás, que têm como diferencial o design moderno, com preço acessível, numa democratização da decoração. No entanto, a empresa também faz box (cama), guarda-roupa, cômoda e racks, e se prepara para confeccionar o colchão. Todos os itens vão para a Mobly, que sempre vendeu mais do que a fábrica conseguia produzir.
“Chegamos a ter 14 mil peças de backlog (atrasadas) e só em 2020, conseguimos equilibrar a equação produção versus vendas. Tínhamos planos de abrir para o mercado, quando veio a pandemia. No dia 16 de março de 2020, meu primo falou: ‘vamos quebrar’. Montamos um comitê de crise e no dia 2 de abril, 15 dias depois, as vendas já eram maiores do que no dia 16 de março”, cita o CEO.
O sucesso é atribuído à expertise das vendas no online e o consumo das famílias, que passaram a ficar dentro de suas casas e viram a necessidade de melhorias e mais conforto.
“Antes da pandemia, apenas 8% das vendas do mercado moveleiro eram online. O restante era em lojas físicas, que estavam fechadas. Hoje as vendas do setor na internet estão em torno de 18%”, compara Batista.