O governo de São Paulo anunciou na última semana, que a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística firmou parceria internacional com o Swedfund International AB, instituição financeira de desenvolvimento do governo da Suécia.
O acordo prevê o suporte financeiro de aproximadamente R$ 5 milhões, custeados integralmente pelo governo sueco, para serviços de consultoria de especialistas nas áreas de energia, infraestrutura e biometano. Segundo o que foi divulgado, o objetivo é realizar estudos técnicos para dimensionar investimentos necessários à implantação de novos gasodutos de biometano.
Além disso, deve avaliar o potencial de recuperação do digestato, subproduto rico em nutrientes gerado na digestão anaeróbica, e propor modelos de negócio para a produção e comercialização de biofertilizantes orgânicos em plantas de biometano no estado.
Em nota, a secretária estadual de Meio Ambiente, Natália Resende, explica que o projeto está alinhado ao PAC 2050 (Plano de Ação Climática 2050) e ao PEE 2050 (Plano Estadual de Energia 2050), ambos com metas de descarbonização.
Experiência
Segundo o que foi divulgado, o Swedfund financia estudos e realiza investimentos sustentáveis em países em desenvolvimento nas áreas de energia, clima e saúde. O órgão já financiou dois estudos de caso para produção de biometano a partir de resíduos de estação de tratamento de esgoto e de aterro sanitário, para uso em transporte coletivo de passageiros, em substituição ao óleo diesel.
O novo acordo visa dar continuidade à essa colaboração inicial, apoiando o desenvolvimento de políticas públicas e fornecendo uma ferramenta de planejamento estratégico para os agentes de mercado, possibilitando a expansão das redes de gás para acomodar volumes crescentes de gás renovável no futuro.
Governo impulsiona a expansão da infraestrutura de biometano em São Paulo
Segundo o que foi divulgado, em dezembro de 2025 a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) publicou norma que viabilizará a interconexão de plantas de biometano à rede de gás canalizado sem causar impacto aos demais usuários.
Por meio da TUSD-Verde (Tarifa de Uso do Sistema de Distribuição-Verde), os investimentos e custos operacionais da interconexão serão remunerados exclusivamente pelos fornecedores de biometano. A regulação implementa as políticas públicas aplicáveis aos serviços regulados, com destaque para a PEMC (Política Estadual de Mudanças Climáticas).
Ela tem entre seus objetivos, aumentar a participação das fontes renováveis de energia na matriz energética do Estado e reduzir a emissão de gases de efeito estufa, e para o PEE, que apresenta o biometano como uma das principais estratégias para esses objetivos.
A TUSD-Verde incentivará o desenvolvimento dos serviços locais de gás canalizado, estabelecendo normas para promover a ampliação do biometano com competitividade e eficiência, ao mesmo tempo em que garante a modicidade tarifária.
Potencialidades de produção
Estudo contratado pela Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), com apoio técnico e institucional da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, apontou que o potencial de produção de biometano no Estado é de 6,4 milhões de metros cúbicos por dia (m³/d).
Além disso, poderia gerar até 20 mil empregos diretos, indiretos e induzidos, impulsionando uma nova cadeia industrial de equipamentos e serviços. Entre os ganhos adicionais, estaria a substituição parcial de combustíveis no transporte, com potencial de redução de até 16% nas emissões de carbono em comparação ao óleo diesel.
Segundo o estudo, mais de 80% do potencial produtivo paulista está concentrado no setor sucroenergético, que aproveita resíduos da produção de açúcar e etanol, como vinhaça, torta de filtro, bagaço e palha, para a geração de biogás e biometano.
Em São Paulo, o biometano já é utilizado como insumo na produção de fertilizantes, fonte de energia em processos industriais e combustível para frotas de transporte de cargas e passageiros.
Birigui aguarda a expansão da rede de gás e pode ganhar termoelétrica
O acordo assinado entre o governo do Estado e o governo sueco pode beneficiar Birigui, que aguarda a expansão da rede de distribuição de gás natural que passar por Araçatuba, para atender a cidade. Estima-se que seria necessário menos de 10 quilômetros de rede para fazer essa expansão.
Um dos objetivos seria atender a instalação de uma usina termoelétrica, cujo projeto foi apresentado durante o Café Empresarial realizado pela Prefeitura, em setembro do ano passado.
Na ocasião, a reportagem falou com a gerente de Estratégia da Necta, Mariana Argente. A empresa é a responsável pela distribuição de gás na região.
Ela informou que a empresa atende 375 dos 645 municípios paulistas, que a rede atual passa em 42 cidades, apesar de atender o mercado urbano em apenas seis delas, incluindo Araçatuba. São cerca de 50 mil clientes entre indústria, comércio e residências, sendo distribuídos 700 mil metros cúbicos de gás.
Meta
A meta, de acordo com Mariana, é quase dobrar o número de municípios atendidos até 2049 e triplicar o volume de gás oferecido. Ainda de acordo com ela, a região de Araçatuba é privilegiada, justamente por concentrar usinas de açúcar e álcool.
“A gente está em um posicionamento estratégico no mundo, onde tem 135 usinas com potencial de produção de quase 6 milhões de metros cúbicos de biometano na área da Necta” , informou.
O plano de longo prazo, de acordo com ela, prevê até 2049, conectar ao menos 46 dessas usinas, trazendo para todo Estado, 3 milhões de metros cúbicos de gás renovável para essa rede de distribuição.
Birigui
Com relação a Birigui, ela informou que o município ainda não é atendido, mas já assinou um protocolo para estudo de viabilidade técnica e financeira para receber a rede de gás. “É preciso entender todos os investimentos, o que vai ter na cidade, para de fato a gente trazer a infraestrutura” , explicou.
Ainda segundo Mariana, a possível instalação de uma usina termoelétrica seria de grande influência para essa expansão, pelo alto consumo. A rede também atenderia o Hospital Estadual, que começou a ser construído, e demais potenciais clientes.
Usina termolétrica
Um representante da Orbi, dona do projeto de instalação de uma usina termoelétrica movida a gás em Birigui, também participou do Café Empresarial no ano passado e confirmou que depende do fornecimento de gás para instalação da usina.
Ele explicou que há um desafio muito grande no mercado de energia, que é a flexibilidade, e que a usina seria importante para suprir a demanda em horários de pico, que não são atendidos por outras fontes, como as fotovoltaicas e heólica.
Ainda de acordo com ele, a escolha por Birigui se deu por indicação da Investe SP, e a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico se mostrou favorável à iniciativa. “Alguns motivos da escolha de Birigui, não só pela disponibilidade do gás de conexão da rede elétrica, é justamente essa política pública que incentiva o investimento privado pelo desenvolvimento do município” , disse o representante.
Local
O projeto prevê a instalação da usina em uma área próxima do Hospital Estadual em construção, já que os dois empreendimentos seriam atendidos pela expansão da rede de gás encanado de Araçatuba.
A usina deva consumir sozinha, 1,5 milhão de metros cúbicos de gás por dia, que é mais do que a Necta fornece atualmente para o Estado de São Paulo, de acordo com ele.
Ela seria instalada em sistema de contêiner, com capacidade de produção de 208 Megawatts e ocuparia uma área 30 mil metros quadrados, o que corresponde a três hectares. Como comparação, o diretor da empresa comentou que uma usina fotovoltatica ocuparia 415 hectares de área.
A usina termoelétrica usaria uma tecnologia inovadora da Espanha, funcionando com um motor que gera energia. “Toda questão de efluentes, de óleo, são acondicionados dentro do próprio contêiner, com todos as certificações europeias de emissões. Tem tranquilidade muito grande com relação a isso, atividade de impacto ambiental muito controlado” , afirmou.
