Economia

Indústrias de Araçatuba conquistam “o primeiro passo para a independência”

Recente mudança na lei municipal atende reivindicação antiga de empresários dos parques industriais e possibilitará desenvolvimento

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
29/10/21 às 17h58
Mudança foi aprovada pela Câmara no dia 13 de outubro (Foto: Angelo Cardoso/Câmara de Araçatuba)

Uma mudança recente na lei municipal que converte em “concessão de direito real de uso” as atuais concessões de uso de áreas de terra nos parques industriais de Araçatuba (SP) é vista como “o primeiro passo para a independência dos empresários”.

Aprovada pela Câmara no dia 13 de outubro e publicada pelo município na quinta-feira passada (21), a medida atende uma antiga reivindicação dos empresários, pois torna o ambiente mais seguro para investimentos, e vai ainda mais adiante, permitindo aumentar o ramo de atividade de quem já está instalado no local.

Segundo Oscar Saito, que tem uma empresa no Parque Maria Isabel Piza Almeida Prado e é presidente da Comissão dos Empresários dos Distritos Industriais de Araçatuba, a meta ainda é a posse definitiva dos lotes após o cumprimento de todas as exigências feitas pelo município na hora da concessão. Porém ressalta que as mudanças farão muita diferença para as empresas. “É um desengessamento”, define.

Mudanças

A lei aprovada prevê o “direito real de uso”. Antes dessa lei, algumas empresas tinham o direito real de uso e outras apenas o direito de uso. Com direito real de uso, as empresas conseguem, por exemplo, mais crédito para execução de obras, instalações e equipamentos, pois podem oferecer esse direito em garantia de pagamento.

Além disso, o artigo 5º da lei permite mudança de ramo de atividade na área concedida ou inclusão de uma nova atividade econômica, desde que o local cumpra com os requisitos legais.

Uma semana após a aprovação da lei pela Câmara, os vereadores aprovaram nova lei em benefício à empresa Constroeste, que tem um lote no parque Maria Isabel no ramo de preparação de concreto e argamassa para a construção civil e usina de preparação de massas asfálticas. O novo texto autoriza a inclusão da atividade de transbordo de resíduos de serviços de saúde em seu rol de serviços, a fim de atender uma cadeia maior de clientes.

Para a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Relações do Trabalho, que atua no processo de regularização dos parques industriais de Araçatuba, essas alterações promoverão fortalecimento e desenvolvimento dessas áreas, geração e manutenção de empregos, impostos e rendas ao município.

Governança

Os pedidos de melhorias nos parques industriais começaram há 12 anos, quando foi montada a primeira comissão de empresários, liderada por Saito. Hoje, a comissão é reconhecida como Governança dos Parques Industriais de Araçatuba, atuando diretamente com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico.

Embora seja considerada uma grande conquista a alteração na lei, Oscar Saito reforça que a luta dos empresários – tanto do Maria Isabel, quanto do Alexandre Biagi e Antonio Xavier Couto – é a posse definitiva dos lotes lavrada em cartório.

“Mas estamos satisfeitos com as melhorias. Consideramos o primeiro passo para a independência”, definiu.

Outra conquista destacada por Saito é a regularização dos parques, que está em andamento. “Essas questões superam até mesmo a luta antiga que tínhamos por asfalto e infraestrutura nos parques. São importantes? Lógico que sim, mas para nós, ter o parque regularizado, como já está o Maria Isabel, com as escrituras e a possibilidade de desengessar os negócios neste momento da economia em recuperação é ainda maior”, explica.

Ruas do parque Maria Isabel recebem fresa (Foto: Divulgação)

Melhorias

Recentemente, várias ruas do parque Maria Isabel receberam fresa de asfalto retirada durante recuperação da rodovia Marechal Rondon (SP-300). A melhoria é fruto de uma parceria entre a Prefeitura (secretarias de Desenvolvimento e de Obras) e a concessionária Via Rondon.

“Não é o ideal, mas ameniza as dificuldades que os empresários enfrentam, já que o asfalto é um investimento muito mais amplo e exige um preparo anterior, com a construção de guias, sarjeta, drenagem e galerias de água pluvial, etc.”, ressaltou Saito.

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