Na contramão do setor calçadista que tem sofrido com a crise econômica e fechado fábricas em Birigui (SP), indústrias de diferentes segmentos estão de olho no potencial e principalmente na oferta de mão de obra da cidade. Atualmente, três empresas estão com 210 vagas de trabalho abertas.
Os investimentos e a movimentação econômica esperada pelos próximos cinco anos superam R$ 20 milhões, segundo informou a Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação de Birigui.
A maior quantidade de vagas é para o setor moveleiro. A empresa Mundo Móveis, que fabrica móveis e estofados e tem sede em Votuporanga, está contratando 120 profissionais, entre tapeceiros, costureiras e marceneiros, para trabalhar na fábrica, que deve ser inaugurada ainda neste ano em Birigui. A expectativa é gerar até 200 vagas quando estiver em operação.
Forno
Outra oportunidade é no ramo de metalúrgica. A indústria Tecnopizza, que fabrica forno de esteira elétrico e está montando seu parque fabril na avenida Antônio da Silva Nunes, ao lado do Bandeirante Supermercados, irá gerar 50 vagas. Atualmente estão sendo captados candidatos a vagas de soldador, motorista e auxiliar de serviços gerais feminino.
De acordo com os sócios Silvio Pieroni e Sérgio Lopes, eles procuraram Birigui pela mão de obra existente e pela estrutura dos barracões industriais visitados na cidade. O comercial da empresa fica em Araçatuba, onde a metalúrgica surgiu há 5 anos.
Votorantin
O terceiro investimento é do grupo Votorantin, que está investindo num centro de distribuição de cimento à margem da rodovia Marechal Rondon, em uma área de 8 mil metros quadrados.
Serão gerados em torno de 40 novos empregos, entre funcionários internos e caminhões agregados. De início, a empresa está contratando dez motoristas proprietários de caminhões para prestação de serviço de transporte.
Além das três grandes empresas citadas, há vagas abertas para áreas administrativa, de programação e software.
Diversificação
Para o secretário de Desenvolvimento, Nelson Giardino, os investimentos em Birigui são frutos de um planejamento que vem sendo feito pela atual administração, com foco na diversificação do parque industrial.
“Birigui sempre foi focada na monoindústria, que é o calçado. Essa situação tem um aspecto positivo e outro negativo, que aparece quando surgem as crises. Se você está em uma única direção e a crise se instala, os problemas são mais sérios”, diz.
De acordo com o secretário, a crise no segmento de moda e confecção, que inclui o calçado, é nacional, independe de uma ação local. “A economia precisa reagir como um todo para que o consumo volte”, completa.
Para atrair novas empresas, Birigui montou um ambiente propício, com incentivos fiscais e a criação do sistema Empresa Fácil, que agiliza a abertura de novos negócios. Também foram distribuídos mais de 120 mil metros quadrados de terrenos no novo parque industrial nos últimos dois anos, para empresas de diferentes segmentos.
“Fizemos um pacote e o empresário está enxergando isso. Outro ponto positivo é a mão de obra em abundância, já que somos uma cidade industrial”, citou.
Para completar o cenário, Giardino destaca a localização do município, o que facilita a logística, com acesso fácil a importantes rodovias, e atuação de transportadoras.