A decisão de suspender o transporte coletivo, proibir a entrada e circulação de veículos de passageiros, tais como ônibus, vans e similares, e determinar o fechamento das creches municipais e conveniadas, em Birigui (SP), a partir da próxima segunda-feira (23), pode antecipar o fechamento das indústrias calçadistas do município por tempo indeterminado. Uma das alternativas para a manutenção dos empregos é a antecipação das férias.
De acordo com o presidente do Sinbi (Sindicato da Indústria do Calçado e Vestuário) de Birigui), Renato Ramires, diante do avanço dos casos da covid-19 em investigação, o setor acredita que a parada será inevitável e prudente.
Uma reunião entre o sindicato e a Prefeitura foi feita na tarde desta quinta-feira (19), para discutir a situação. Inicialmente foi colocado prazo até o dia 31 de março para a paralisação das atividades da indústria calçadista, no entanto, o setor analisa uma antecipação dessa data por etapas.
“O setor é um ciclo. O material, por exemplo, já está cortado. Para que não fique parado esse material, que pode sofrer deformação e ser perdido, vamos terminá-lo. Então, estamos programando uma parada progressiva. Vamos parar primeiro o corte, depois o pesponto, depois a preparação, montagem e expedição”, explicou sobre um possível cronograma montado para ser seguido na próxima semana.
No entanto, esclarece que, dependendo dos números apresentados nos boletins epidemiológicos da Secretaria da Saúde, tudo pode mudar.
“Se confirmado um caso (de covid-19), medidas drásticas serão tomadas de imediato. Hoje a gente está trabalhando dentro dessa linha de raciocínio, para preservar vidas. Porque sabemos que quanto mais rápido a gente parar, é melhor. Só que a gente sabe que terá que retornar e temos que ter condições de reabrir nossas empresas daqui um tempo, seja daqui 40 ou 90 dias”
Empregos
Nas grandes empresas, os funcionários não serão dispensados. A ideia inicial é trabalhar com a antecipação das férias.
Segundo Ramires, o novo coronavírus surgiu no momento em que o mercado estava extremamente promissor. “Estávamos com a produção a todo vapor, contratando, com muitos pedidos. Foi um balde de água fria. Mas temos que administrar com tranquilidade, reorganizando e reestruturando de forma mais eficiente possível para causar menor transtorno.”
Nas fábricas, segundo o ele, os cuidados estão sendo redobrados. Foram suspensas todas as viagens de funcionários, as reuniões são feitas por meio de internet e funcionários recebem álcool gel na ponta das esteiras e são orientados a fazer a higienização antes de iniciar o trabalho, para que não haja contaminação.
Também há uma flexibilidade para os pais que precisam ficar com os filhos em casa, devido ao fechamento das escolas. “Estamos respeitando os pais que estão um pouco mais aflitos nesse sentido. É um direito deles.”
Vendas em queda
Até domingo, segundo Ramires, as vendas de calçados no comércio varejista registravam queda de 30%, pois como não havia movimento nos shoppings e centros de compras, os lojistas já estavam cancelando os pedidos.
Decreto
Conforme decreto assinado pelo prefeito Cristiano Salmeirão (PTB), as creches municipais e conveniadas e o terminal rodoviário serão fechados a partir de segunda-feira (23). A suspensão do trabalho nas creches será por tempo indeterminado. Já o transporte coletivo urbano será interrompido, inicialmente, do dia 23 de março a 5 de abril.
Até o próximo domingo (22), os ônibus circulares irão reduzir o número de carros na cidade. Em vez de passar de hora em hora, o coletivo terá linhas a cada três horas. A partir de segunda, o transporte urbano estará suspenso.
Do dia 23 de março até 5 de abril também não será permitida a entrada e circulação de veículos de passageiros, tais como ônibus, vans e similares. Isso significa que não haverá transporte para os trabalhadores da região que atuam nas fábricas de Birigui. A única exceção é para veículos oficiais destinados a atividades de segurança e saúde.