A empresa espanhola Solatio, considerada a maior desenvolvedora de projetos solares da América Latina, vai investir R$ 1,6 bilhão na região de Araçatuba (SP), na construção de dois complexos de usinas solares fotovoltaicas. Os empreendimentos ficarão nos municípios de Castilho e Pereira Barreto e devem ser construídos até 2023.
Além desses projetos, estão prestes a entrar em operação
as usinas construídas pela GreenYellow do Brasil, nos municípios de Penápolis e Barbosa
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De acordo com a Solatio, serão investidos R$ 750 milhões na usina de Castilho e R$ 858 milhões, em Pereira Barreto. As usinas terão potência instalada de 236 MWp (Megawatts-pico) e 270 MWp, respectivamente. Quando estiverem em operação, juntas, terão capacidade para fornecer energia para aproximadamente 530 mil casas durante um ano.
Somados, os dois parques superam a capacidade da usina de Pirapora, no norte de Minas Gerais, de 400MWp, considerada a maior usina de geração de energia fotovoltaica da América Latina.
O número de postos de trabalho gerados não foi informado, mas se considerar o porte da usina de Pirapora, os empreendimentos poderão empregar mais de 2 mil pessoas nas obras de implantação das unidades, que ainda não têm data de início.
Castilho
Uma usina fotovoltaica é o conjunto de instalações solares projetadas para gerar eletricidade por meio da radiação solar.
Em Castilho, a usina ficará na rodovia Marechal Rondon (SP-300), km 670, na zona rural. A área ocupada será de 682,97 hectares e foi escolhida porque toda sua extensão é cortada por rede de transmissão. A licença ambiental de instalação foi emitida pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) no mês passado.
As negociações para a implantação da usina fotovoltaica em Castilho começaram em 2015. Na época, na administração de Joni Buzachero (PSDB), foi realizada uma audiência pública para apresentação do empreendimento à população e posteriormente enviada uma lei para a Câmara dos Vereadores isentando a cobrança do ISSQN (Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza) durante a instalação do projeto. Em troca, o município receberia o imposto na manutenção, fora o ICMS (Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços), que embora seja estadual, tem parte devolvida aos municípios.
De acordo com Joni, que acompanha o desenrolar do projeto, por enquanto a autorização é para a construção de cinco módulos, no entanto, o projeto é ainda maior. “Esse projeto será um dos maiores do País e vai tornar Castilho um dos três maiores produtores de energia solar do planeta.”
A atual prefeita de Castilho, Fátima Nascimento (DEM), vê com bons olhos o investimento no município. “Acredito que esse é o caminho para buscar o desenvolvimento, geração de empregos e compensar os royalties da usina hidrelétrica que o município perdeu para Três Lagoas (MS).” A Prefeitura também acredita que Castilho voltará a ter destaque nacional com o empreendimento.
Pereira Barreto
Em Pereira Barreto, a construção será às margens da rodovia Euclides de Oliveira Figueiredo (SP-563), no sentido da usina hidrelétrica de Três Irmãos. Assim como em Castilho, a área foi arrendada para tal finalidade. De acordo com a Solatio, o contrato em Pereira Barreto é de 2014.
A reportagem tentou contato com o prefeito de Pereira Barreto, João de Altayr Domingues (PL), por meio da assessoria de imprensa, mas não recebeu retorno.
A Solatio não divulgou se há mais empresas envolvidas nos projetos e investimentos, nem deu detalhes sobre a comercialização da energia que será produzida.
A Prefeitura de Castilho projeta construir sua própria usina fotovoltaica para atender o consumo dos prédios públicos da cidade. O primeiro passo para o empreendimento já foi dado, com a autorização da Câmara, nesta semana, para realização de operação de crédito com a Caixa Econômica Federal, no valor de até R$ 17 milhões. O recurso será utilizado no empreendimento e também na modernização da iluminação pública.
“O Distrito Industrial e Comercial terá uma indústria. Serão praticamente 15 mil metros de placas na entrada da cidade (...) Iremos também substituir a iluminação pública atual por lâmpadas modernas, usando da tecnologia de LED, que apresenta baixo custo de consumo e manutenção”, explicou Fátima. Atualmente, o município tem custo mensal de R$ 130 mil com energia elétrica.
A vida útil da usina fotovoltaica é estimada em 25 anos e as lâmpadas LED, 15 anos, cuja manutenção está prevista no custo.