Os trabalhadores nas fábricas de calçados do Grupo DOK em Birigui (SP) e no município de Frei Paulo (SE), foram dispensados do trabalho a partir desta terça-feira (7), por determinação da diretoria da empresa. Segundo os sindicatos dos trabalhadores, no caso de Birigui, a dispensa é pelo prazo inicial de dois dias, mas no caso de Sergipe, será por tempo indeterminado.
Ainda de acordo com o que foi informado, a medida foi tomada pela direção da empresa após os funcionários das duas unidades decidirem pela suspensão das atividades nesta terça-feira, por não terem recebido o pagamento do salário ontem, como estava previsto.
No início deste ano o Grupo DOK anunciou uma dívida de cerca de R$ 400 milhões e teve o pedido de recuperação judicial aceito pela Justiça do Estado do Sergipe, onde possui outra fábrica e também uma rede de lojas de calçados.
Demissões
Como o grupo teve vários contratos com grandes varejistas suspensos por suspeita de fraude mediante emissão de notas fiscais simuladas, em fevereiro 527 trabalhadores nas unidades fabris de Frei Paulo e 180 em Salgado, também em Sergipe, foram demitidos.
No caso de Sergipe, o SINDCAFIT (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Calçados, Fiança e Tecelagem) informa que como os salários não foram pagos ontem, que seria o quinto dia útil, os trabalhadores decidiram parar.
“Conversei com a empresa e em comum acordo decidimos parar as atividades por tempo indeterminado”, informa o presidente do sindicato, Roneclecio Alves da Cruz. De acordo com ele, a empresa também deve aos trabalhadores dois meses de vale alimentação e não foram feitos os depósitos do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) nos últimos três meses.
Birigui
No caso de Birigui, a presidente do Sindicato dos Sapateiros, Milene Rodrigues, soube da paralisação pelo não pagamento dos salários pela manhã e pouco depois das 12h participou de uma reunião com eles na sede da empresa.
“Durante conversa, em consenso, decidimos nos unir e entrar com ações para que a empresa cumpra com os compromissos perante os trabalhadores. São obrigações fazer o depósito do FGTS, o pagamento do ticket alimentação, o PLR (Participação nos Lucros e Resultados) e o pagamento dos salários”, informa.
Incertezas
Ainda de acordo com ela, a decisão de dispensar os trabalhadores por dois dias ocorreu porque os monitores não conseguiram convencer os trabalhadores a voltarem ao trabalho sem ter uma posição sobre os pagamentos. “Até agora a direção da empresa não nos atendeu e não podemos deixar o trabalhador a Deus dará. Vamos ampará-los e lutar junto com eles”, afirma.
Milene comenta que a situação dos trabalhadores é bastante difícil diante da atual situação da empresa, pois além da preocupação constante com os pagamentos, eles sofrem uma pressão psicológica imensa.
Ela comenta que muitos funcionários residem em outras cidades, vieram para o trabalho em transporte oferecido pelas Prefeituras e ficaram na rua após a dispensa, aguardando o horário dos ônibus para voltar para casa.
Ainda de acordo com a sindicalista, independentemente da dispensa, os trabalhadores devem ser recebidos no sindicato nesta quarta-feira para tratar dos documentos necessários para ingressar com as possíveis ações.
