A atleta de Araçatuba Márcia Procópio, 29 anos, conquistou o título de campeã brasileira de kickboxing, no domingo passado (23), em Sorocaba (SP). A vitória garantiu classificação para o mundial e para o campeonato sul-americano. Agora, além de se preparar fisicamente para as disputas, Márcia busca patrocínio para participar das competições.
Em sua 29ª edição, o Campeonato Brasileiro de Kickboxing CBKB Wako aconteceu de 20 a 23 de junho, e reuniu mais de 20 estados e mais de mil atletas. O evento é considerado um dos mais importantes do esporte no País.
Categorias
Márcia, que é faixa preta no kickboxing, disputou o título na categoria light contact, combate onde os atletas visam tocar o maior número de vezes o seu oponente, e sempre com chutes acima da linha da cintura.
Foram cinco lutas até conseguir o primeiro lugar no pódio. Além do título de campeã, ela levou duas medalhas de prata nas categorias kicklight (até 70 kg), que permite chutes acima do joelho; e o k1 rules, um combate de contato pleno e com possibilidade de joelhadas e socos giratórios.
A vitória garantiu a classificação para dois eventos inéditos, o mundial de kickboxing que será realizado na Bósnia, em outubro, e o campeonato sul-americano em Lima, no Peru, em novembro, ambos nas categorias light contact e k1 rules. As disputas podem garantir índice no ranking e a participação da atleta nas Olimpíadas de Tóquio, em 2020.
Despesas
Márcia explica que ao ser classificado no topo do ranking, os atletas são convocados para participar da seleção defendendo o Brasil, porém a federação apenas oferece descontos e a oportunidade para participar de competições fora do País. As despesas são responsabilidade de cada competidor. “Todo mundo pensa que a principal dificuldade é a preparação, mas na realidade é financeira”, conta.
De acordo com a atleta, a importância de ter um patrocinador é para custear as despesas e garantir a participação em todos os eventos. “Para participar das competições, principalmente no exterior, o custo é grande e acabamos investindo do nosso bolso. Para continuar o trabalho e conquistar mais vitórias, seria essencial esse apoio”, relata.
Desafio
Outro desafio que ela enfrenta como lutadora profissional é o preconceito. “Eu pratico um esporte individual e feminino, que ainda gera certo preconceito entre as pessoas. A maioria das empresas apoia um grupo de atletas e não apenas uma pessoa individualmente. Ainda tem aquelas pessoas que não acreditam no seu potencial e que o seu trabalho é sério”.
A rotina de treinos de Márcia é diária, de duas a três vezes ao dia. Próximo da competição, eles se intensificam. O preparo inclui atividades aeróbicas e os treinos específicos de luta.
Para a atleta, infelizmente, muitas empresas preferem apostar em digital influencers e blogueiras e não veem a importância que o esporte tem na sociedade, como transformador de vidas.
Atualmente, a campeã não tem patrocinador oficial, mas conta com apoiadores que ajudam nas viagens para competições, custeando passagens, refeições e acomodação.
Outros títulos
Além dos títulos internacionais, a lutadora busca o bicampeonato na Copa Brasil de Kickboxing, que acontecerá em setembro, na cidade de Maringá (PR).
Márcia começou a treinar em 2008 por recomendação médica. Em 2016, surgiu a oportunidade de trabalhar como instrutora de muay thai e este foi o pontapé para as competições.
Ela é tri-campeã brasileira de muay thai (2016, 2017 e 2018) e já conquistou títulos importantes no kickboxing, como ouro nos campeonatos panamericano e paulista, e o vice-campeonato brasileiro, todos em 2018.
No exterior, ela começou 2019 com a conquista de três ouros e uma prata, no Argentina Open Kickboxing, em Buenos Aires, realizado em maio.
*Com supervisão de Aline Galcino