Há 22 anos em Araçatuba (SP), a Casa Bom Samaritano (Manolo Garcia), fundada por Assunta Curti, acolhe homens que enfrentam problemas com álcool e drogas, com transtornos mentais e em situação de rua.
De acordo com Assunta, que está com 70 anos e se mantém cuidando do local, a entidade já atendeu mais de quatro mil pessoas, que passaram por algum tipo de tratamento.
Atualmente, o espaço abriga 38 homens, que são tratados com dignidade e passam por um preparo para retornarem à sociedade.
“O objetivo do meu coração sempre foi montar um lugar onde o homem não valesse o que tem dentro do bolso. Quando você tem dinheiro é fácil encontrar um lugar maravilhoso. Eu sempre digo, a Casa Samaritano não tem necessidade de ser luxuosa, mas o que precisa existir é o amor”, afirmou Assunta.
Muito além de um espaço para auxiliar pessoas a se reabilitarem, o local se tornou a vida dela.
“A Casa Samaritano, para mim, representa a minha vida. Eu sempre falo que ‘abaixo de Deus, aqui é o lugar mais importante para mim’. Eu não consigo viver sem ela”, comentou.
Se engana quem pensa que são só histórias tristes, viu? Assunta finalizou dizendo que um dos momentos mais felizes é ver as pessoas mudando de vida.
“A coisa que mais me emociona é quando eu vejo uma pessoa que chegou literalmente no fundo do poço e consegue se erguer e voltar para a sociedade onde encontram uma vida honrosa”, finalizou.
Todo o espaço da Casa Bom Samaritano, que fica em uma chácara, foi construído com muito esforço e é motivo de emoção até hoje.
“Até hoje, eu abro o portão, sento na nossa praça e choro. Eu olho tudo isso e falo: ‘Deus, quanto que o senhor fez’. São os moradores daqui que me ajudam a construir tudo. As telhas que nós temos aqui, eu pegava uma carroça e ia nas casas que estavam trocando as telhas e eles lavavam para usarmos aqui. Eles que mantém o espaço limpo e conservado”, afirmou.
Quem é Assunta?
A história de vida de Assunta é repleta de luta e determinação. Ela casou aos 14 anos e teve o primeiro filho aos 16. Após alguns anos, o marido se tornou alcoólatra e acabou falecendo em virtude de uma doença por excesso de bebida.
“Nada na vida vem sem propósito e o meu foi apreender a lidar com o alcoolismo para que eu pudesse montar um lugar como a Casa Bom Samaritano, para acolher pessoas que estão em busca de uma transformação de vida”, completou.
