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Ex-ministro e pastor ligado a Bolsonaro são alvos da PF em operação sobre ‘balcão’ do MEC

Milton Ribeiro saiu do governo após suspeitas sobre atuação de pastores na liberação de verbas no Ministério da Educação

Da redação*
22/06/22 às 09h00
Milton Ribeiro esteve em Birigui em dezembro do ano passado em evento (Foto: Divulgação)

A Polícia Federal realiza na manhã desta quarta-feira (22) uma operação contra o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro e pastores suspeitos de operar um balcão de negócios no Ministério da Educação e na liberação de verbas do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação).

A PF também cumpre mandados de buscas e apreensão em endereços de Ribeiro e dos pastores Arilton Moura e Gilmar Santos - esses dois últimos são ligados ao presidente Jair Bolsonaro (PL) e apontados como lobistas que atuavam no MEC.

São 13 mandados de busca e apreensão e cinco de prisão em Goiás, São Paulo, Pará e Distrito Federal. Outras medidas cautelares diversas, como proibição de contatos entre os investigados e envolvidos, também foram efetuadas.

Conforme informações da Globo News, Ribeiro foi preso em Santos, onde mora. Os policiais chegaram ao endereço, um apartamento na praia do Boqueirão, por volta das 5h, e saíram já com o ex-ministro preso às 7h. Os policiais teriam entrado no apartamento e feito também uma vistoria no veículo do investigado.

Operação

A ação foi batizada de Acesso Pago e investiga a prática de tráfico de influência e corrupção para liberação de recursos públicos.

O crime de tráfico de influência tem pena prevista de 2 a 5 anos de reclusão. São investigados também fatos tipificados como crime de corrupção passiva (2 a 12 anos de reclusão), prevaricação (3 meses a 1 ano de detenção) e advocacia administrativa (1 a 3 meses).

Inquérito

O inquérito foi aberto após o jornal "O Estado de S. Paulo" revelar, em março, a existência de um "gabinete paralelo" dentro do MEC controlado pelos pastores.

Dias depois, o jornal "Folha de S.Paulo" divulgou um áudio de uma reunião em que Ribeiro afirmou que, a pedido de Bolsonaro, repassava verbas para municípios indicados pelo pastor Gilmar Silva.

"Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do [pastor] Gilmar", disse o ministro no áudio.

"Porque a minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar", complementou Ribeiro.

Após a revelação do áudio, Ribeiro deixou o comando do Ministério da Educação.

Em vídeo, o presidente Jair Bolsonaro chegou a dizer que botava "a cara no fogo" por Ribeiro.  *Com informações da Globo News, G1, Folha de S.Paulo e PF.

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