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Ministro diz que 'percebeu erro' e muda comunicado às escolas sobre Hino

Entidades educacionais viram como positivo o recuo do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez

Teo Cury e Isabela Palhares - Agência Estado
26/02/19 às 15h08
Vélez afirma que a mensagem foi alterada e que o slogan não consta mais na carta (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

O ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, afirmou nesta terça-feira (26), que determinou que seu ministério retire de um e-mail enviado na segunda-feira, a todas as escolas do País, o trecho em que pede que crianças sejam gravadas em vídeo após serem perfiladas para cantar o hino nacional. Ele também disse que "percebeu o erro" de inserir o slogan da campanha de Jair Bolsonaro "Brasil acima de tudo. Deus acima de todos" ao final do e-mail.

"Eu percebi o erro. Tirei essa frase (com slogan do governo). Tirei a parte correspondente a filmar crianças sem a autorização dos pais. Evidentemente se alguma coisa for publicada será dentro da lei, com a autorização dos pais. Saiu hoje (terça) de circulação", disse o ministro brevemente a jornalistas. Houve grande repercussão negativa após a medida ter sido divulgada nesta segunda-feira.

Vélez Rodríguez se reuniu com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). "Estive com o presidente do Senado, uma pessoa maravilhosa, muito aberta ao diálogo e nós, no ministério, temos como função cuidar da educação do Brasil, ajudar a educação, melhorar, de mãos dadas com nosso representantes no Parlamento", disse após o encontro.

O ministro iniciou participação, no final da manhã, de audiência pública na Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado para apresentar as diretrizes e os programas prioritários de sua pasta. "Será uma honra muito grande participar dessa sessão no Senado", afirmou.

Positivo

Entidades educacionais viram como positivo o recuo do ministro. Segundo advogados ouvidos pela reportagem, a medida poderia levar o MEC (Ministério da Educação) a ser questionado judicialmente.

A presidente do conselho que reúne os secretários estaduais de educação (Consed), Cecília Motta, diz que a entidade não vê problema em se propor uma mensagem de boas-vindas em que se sugere que o Hino seja cantado, mas, sim, na utilização de um slogan de governo e na filmagem dos alunos. "É preciso ter muito cuidado com o que é enviado para as escolas, porque qualquer mensagem encaminhada por um órgão como o MEC, mesmo que seja um pedido, pode ser entendida como uma determinação. Sem falar que essa iniciativa poderia ter sido conversada com os estados e municípios, o que não foi feito. O diálogo sempre é o melhor caminho pra evitar essa impressão de que o ministério está atravessando as secretarias."

Para Olavo Nogueira Filho, diretor de Políticas Educacionais do Todos pela Educação, o recuo é positivo, mas não minimiza a preocupação do setor educacional que ainda não viu assuntos prioritários sendo tratados com a urgência e importância que merecem do ministério. "Mesmo com o recuo, é mais uma sinalização de que o MEC continua focando em um tema que não tem a urgência de outros problemas do País. Era de se esperar que, em dois meses à frente da pasta, já se tivesse apresentado com maior clareza os caminhos para enfrentar as reais dificuldades da educação brasileira, que é a defasagem da aprendizagem", diz.

Comemoração

Na conta do Twitter do movimento Escola Sem Partido, o recuo foi comemorado. "O próprio MEC reconheceu o erro. Fim de conversa. O Escola Sem Partido estava certo desde o começo", diz a mensagem. Na segunda, eles haviam comparado o uso do slogan com o "canteiro de sálvias em forma de estrela no jardim do Alvorada". As florem foram plantadas, em 2004, a pedido de Marisa Letícia, mulher do ex-presidente, e causaram polêmica. 

A medida repercutiu nas redes sociais e foi questionada por escolas e famílias de alunos. Ainda na segunda-feira, o Consed afirmou, em nota, que a ação feria não apenas a autonomia dos gestores, mas também os entes da Federação. Nesta terça, a Secretaria Estadual da Educação de Pernambuco informou que suas escolas não cumpririam a medida.

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