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Pelo menos 260 brasileiros estão ‘presos’ na Itália nesta pandemia

Entre eles está o casal de Mirandópolis Érico e Eliana, que não consegue sair da cidade de Medicina

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
12/04/20 às 11h00
Érico e Eliana pelas ruas de Medicina antes do lockdown (Foto: arquivo pessoal)

Pelo menos 260 brasileiros não residentes estão retidos na Itália por conta da pandemia de covid-19, causada pelo novo coronavírus, segundo informou o Ministério das Relações Exteriores, o Itamaraty, ao Hojemais Araçatuba.

Entre eles, está o casal Érico de Oliveira Costa Zini e Eliana Munhoz Amoroso Zini, 42, morador em Mirandópolis (SP), a cerca de 80 quilômetros de Araçatuba.

Nesta semana, eles gravaram um vídeo com mais um grupo de pessoas que está na mesma situação deles, ou seja, sem conseguir voltar para casa.

Na gravação há relatos de idosos, crianças, pessoas sem remédio e até quem está na rua porque não consegue mais pagar por acomodações. Todos pedem ajuda ao governo brasileiro e afirmam que a única esperança é a repatriação, já que as companhias suspenderam os voos para o Brasil e algumas cidades estão fechadas.

Lockdown

O Hojemais Araçatuba mostrou a história de Érico e Eliana no dia 30 de março. Eles passaram anos planejando a viagem dos sonhos, que inicialmente teria duração de 51 dias pelo território italiano, terra natal do avô de Érico. Já em solo estrangeiro, foram surpreendidos pela pandemia. (Confira reportagem completa)

A cidade de Medicina, onde estão, está em bloqueio total (chamado de lockdown) desde 16 março. Isso significa que ninguém entra ou sai da cidade, a não ser pacientes que precisem de atendimento em outros hospitais.

Inicialmente, haveria liberação das fronteiras em 4 de abril. No entanto, o lockdown foi prorrogado até segunda-feira (13), com grandes possibilidades de ser novamente alterado, já que a Itália está bloqueada até 3 de maio.

Voos

O casal já comprou passagens em três datas diferentes para tentar voltar para o Brasil. As duas primeiras teve que cancelar porque não conseguiu sair de Medicina. A terceira, cujo embarque ocorreria na próxima semana, dia 16 de abril, foi cancelada pela companhia aérea que não oferece mais voos na rota para o Brasil.

Além de preços exorbitantes, com passagem a R$ 18 mil (de Bolonha a Guarulhos), não há data prevista para embarque, pois não há voos. Para efeitos comparativos, o bilhete de volta adquirido antes da pandemia custou cerca de R$ 3 mil. Também não se sabe quando o bloqueio de Medicina será flexibilizado.

Érico e Eliana procuraram ajuda no Consulado Geral do Brasil em Milão e receberam resposta de que o governo continua procurando soluções para os brasileiros que se encontram na Itália. “Com o cancelamento dos voos entre Brasil e Itália, operados pela Alitalia, uma das últimas companhias áreas que vinham realizando o trajeto, o retorno ao Brasil tornou-se ainda mais difícil”, reforçou o departamento em resposta ao casal.

Regresso

Ainda segundo o consulado, há uma tentativa de negociação com a companhia Alitalia para um último voo, que permita o regresso dos cidadãos. No entanto, não é possível confirmar data e valor a ser cobrado pelo bilhete aéreo, pois as negociações ainda estão em andamento. Em média, de acordo com a resposta, a passagem no trecho custa 700 euros.

À reportagem, o Itamaraty informou que trabalha sem interrupção para solucionar os problemas dos brasileiros retidos no exterior. Desde o início da crise do novo coronavírus, já teriam sido 11.720 nacionais repatriados.

Porém citou que há severas restrições de movimentação no interior da Itália e normas estritas de isolamento social em vigor, o que reduz o leque de opção disponível para a repatriação. “Temos conhecimento de 260 nacionais não residentes retidos na Itália”, pontuou.

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