Opinião

Maquiavel

"Manter a boa aparência é sempre primordial ao príncipe, recomendando que medidas impopulares sejam delegadas"

Adelmo Pinho
02/11/23 às 08h00

O Príncipe, de Nicolau Maquiavel, foi escrito em 1513, sendo uma obra polêmica, complexa, mas sempre atual. Maquiavel é considerado o “pai” da ciência política e O Príncipe é objeto de estudo em todo o mundo. Um dos questionamentos é se Maquiavel era um conselheiro/defensor dos príncipes (governantes) ou da República (do povo).

Para Rousseau, “Maquiavel, fingindo dar lições aos reis, as deu grandes aos povos” . Para muitos estudiosos, Maquiavel era um tirano corruptor do Estado, enquanto para outros, O Príncipe foi destinado a republicanos.

Na época de Maquiavel, contextualizando, a Itália, seu país, tinha como centros de poder: o papa, Veneza, o rei de Nápoles, o duque de Milão e os florentinos. Maquiavel foi secretário do governo de Florença e em 1510 atuou como mediador entre o papa e o rei da França. Foi preso, torturado, desterrado (quando escreveu esta obra) e morreu aos 58 anos, pobre e sem poder.

Segundo as ideias de Maquiavel, ao príncipe (governante), é mais seguro ser temido que amado e fundamenta: “os homens ofendem mais facilmente a quem amam do que a quem temem, pois, a amizade é quebrada quando convém; mas o temor é mantido pelo medo do castigo, que nunca é abandonado”.

Outra premissa de Maquiavel, é que o príncipe não deve se afastar do bem, mas poderá praticar o mal quando for necessário para manter a governabilidade, pois, os fins justificam os meios. Para a manutenção do poder em territórios conquistados, aconselha: “marcar presença, exterminar os mais fortes e atrair para si os mais fracos, sem aumentar o poder destes”.

Maquiavel, certo ou errado, era inteligente e estrategista. Para ele, o governante que chega ao poder através dos ricos (aristocracia na época) tem mais dificuldades de manter-se do quem é apoiado pelo povo, considerando que a aristocracia é insaciável (nesse aspecto ressaltou a importância e a legitimidade do povo para a formação e a manutenção do poder).

Para o autor há três tipos de mente no indivíduo: um que compreende as coisas por si só; o segundo compreende as coisas demonstradas por outrem; o terceiro, nada consegue discernir, nem só, nem com a ajuda dos outros.

Para Maquiavel, pode o príncipe agir rigorosamente ou mesmo castigar súditos, como pais que corrigem filhos. Manter a boa aparência é sempre primordial ao príncipe, recomendando que medidas impopulares sejam delegadas.

Maquiavel mostrou-se crente e afirmou: “Deus não fará tudo, para não nos retirar o livre arbítrio”. O autor dá vários exemplos históricos de como o governante deve planejar, para ter bons resultados.

Na política - explica o professor Renato Janine Ribeiro sobre o pensamento de Maquiavel - a ética deve ser aplicada no caso concreto visando sempre o resultado, já que a ética principiológica não funcionaria, por si. Penso que o efeito negativo disso, na prática, é que se dá espaço à mentira e ao agir errôneo na política.

Enfim, Maquiavel entendeu que o homem tomou para si o destino – livre arbítrio - e a possibilidade de vencer (que denominou de Virtu). Para isso, nessa obra atemporal, traçou parâmetros sobre como obter a vitória. Polêmico, sim. Mas, O Príncipe, merece leitura, estudo e reflexão.

Foto: Arquivo

 

Adelmo Pinho é articulista, cronista e membro da Academia de Letras de Penápolis


** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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