Essa é uma questão que envolve aspectos históricos, sociais, econômicos e biológicos, e claro, avanços tecnológicos contínuos. Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde), a expectativa de vida global aumentou de 48 anos em 1950, para 72 anos em 2019. Isso significa que as pessoas estão vivendo cerca de 24 anos a mais do que há sete décadas. Isso anula por completo aquela frase que tanta gente reproduz: “antigamente as pessoas eram mais saudáveis, viviam mais”.
Vejam só, o avanço da medicina que ao longo de décadas desenvolveu vacinas, antibióticos, tratamentos e cirurgias, podendo assim reduzir a mortalidade por doenças infecciosas, crônicas e degenerativas. Assim como as próprias infraestruturas das cidades, com vias pavimentadas e o aumento e melhoria da quantidade de veículos. Isso agilizou o atendimento, evitando muitas mortes precoces por algum tipo de doença fulminante.
Outras melhorias decorrentes da evolução natural da sociedade, como o aperfeiçoamento de condições sanitárias, da transição demográfica, do aumento da escolaridade, da renda e da qualidade de vida, também contribuíram consideravelmente para esse aumento da expectativa de vida.
Mas as tecnologias têm seu valor especial nisso tudo. Basta observarmos o que vem sendo desenvolvido e utilizado para promover a melhora da qualidade de vida, e consequentemente, da longevidade.
A terapia genética, por exemplo, consiste em modificar o DNA de células doentes ou envelhecidas para corrigir defeitos ou melhorar suas funções. Essa técnica pode ser usada para tratar doenças hereditárias, câncer, diabetes, Alzheimer e outras condições que afetam a qualidade e a duração da vida. E a cada dia, surge uma terapia melhor que a atual. Para se ter ideia, recentemente, cientistas espanhóis criaram o primeiro banco de dados do mundo de células vivas, o biobanco, que vai agilizar estudos e pesquisas ao redor do mundo todo.
A nanotecnologia, que envolve o uso de materiais e dispositivos em escala nanométrica (bilionésima parte de um metro) para manipular átomos e moléculas. Essa tecnologia pode ser aplicada para criar novos medicamentos, materiais biocompatíveis, sensores, implantes e próteses que podem melhorar a saúde e o desempenho humano.
A biologia sintética, que projeta e constrói organismos artificiais ou partes deles a partir de componentes biológicos. Essa ciência pode ser usada para criar novas formas de vida, produzir combustíveis, alimentos, vacinas e outros produtos úteis para a humanidade. Talvez até órgãos completos.
A inteligência artificial, que praticamente já é onisciente nos meios digitais, tem a capacidade de mobilizar máquinas e sistemas para realizarem tarefas que normalmente requerem inteligência humana, como aprender, raciocinar, comunicar e resolver problemas. Essa tecnologia já vem sendo usada para auxiliar os humanos em diversas áreas, e na saúde, por exemplo, já há solução para análise clínica de laudos e resultados de exames em tempo recorde. Isso salva vidas.
Não abordamos aqui alguns experimentos, digamos, mais audaciosos, como a criogenia e transplantes integrais de órgãos biônicos. Mas uma coisa é certa, a expectativa de vida vêm aumentando e isso nos faz imaginar quantos anos viverão os nascidos em 2050, 2100, 2150…
