Opinião

Para criança, tudo é fácil

"personagem principal da história é o neto caçulinha"

Hélio Consolaro*
27/10/23 às 17h52
Desenho de uma criança palestina sobre a situação de Gaza  (Crédito: operamundi.uol.com.br/samuel)

Estavam no carro o pai, a mãe, dois avós do caçulinha: Vera, 80 anos; Euclides, 75 anos. Ambos viúvos de casamentos diferentes. Iam para a Missa de Sétimo Dia da vovó querida, mulher de Euclides, o viúvo recente. Lembre-se: o personagem principal da história é o neto caçulinha.

Rolava o papo no carro de onde vai morar o vô Euclides, que ficara naquele casarão sozinho. Precisava de uma casa menor. Caçulinha, bom de matemática, raciocinou e lascou:

- Vó Vera mora sozinha no seu casarão; vô Euclides ficou também sozinho no casarão dele. Por que não se casam e vão morar juntos!

Aí, caro leitor, aquele silêncio! Vô Euclides, que não deixa escapar nada, chutou o balde:

-Vera, você está usando o nosso neto para me dar um recado! Isso é assédio!

Gargalhadas mil. Pai do caçulinha quase bateu o carro de tanto rir.

Era o que faltava! 

ABORTO É UMA QUESTÃO MASCULINA

É fácil ser contra o aborto sendo homem. Se há uma mulher grávida, houve um homem que a engravidou. Geralmente o feto ameaçado de aborto tem um pai irresponsável. Um garanhão, um estuprador.

Sou homem, sou contra o aborto, mas nunca teria coragem de pedir para uma mulher abortar um filho meu. Mas para eu agir assim, não precisa ter lei, é uma questão religiosa de foro íntimo. As igrejas devem fazer campanhas contra o aborto, mas elas não têm o direito de impor sua vontade a todas as brasileiras, querendo transformar seu ponto de vista em lei.

Criminalizar o aborto é impedir o acesso da mulher à saúde pública. Se o Estado (governo) é laico (não tem religião), não pode ser instrumento de ação de igrejas. O consumo do cigarro diminuiu significativamente apenas com campanhas. Impor a proibição do aborto dificulta a convivência entre nós, principalmente na medicina. 

GAZA É AQUI

Pensamos que a guerra fica lá no Oriente Médio, em Israel, Gaza. Aqui a guerra é diária, minuto a minuto. Ela está aqui entre nós. Somando as mortes de acidentes de trânsito, nos choques entre bandidos e polícia, na morte invisível da fome, dá mais que as mortes em Gaza.

As mortes pingam noticiários policiais em cada cidade. Se o telespectador analisar cada imagem da TV mostrando Gaza, percebe que a vida dos palestinos era cheia de sobressaltos, mas os equipamentos urbanos existiam, bem mais que nas favelas brasileiras.

Parodiando a música Haiti:
Pense em Gaza
Reze por Gaza
Gaza é aqui
Gaza não é aqui

Somos todos gaseificados pela indústria armamentista, disparando balas perdidas e mísseis dirigíveis.

Foto: Reprodução

 

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro das academias de letras de Araçatuba-SP, Andradina-SP, Penápolis-SP e Itaperuna-RJ

** Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião deste veículo de comunicação

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