A Polícia Civil prendeu na tarde de terça-feira (14), em Birigui (SP), uma jovem de 23 anos investigada por integrar uma quadrilha especializada em roubos na zona rural na região de Araçatuba.
Ela confessou participação em um dos assaltos, que teria praticado com o marido dela, que não foi localizado. Duas caminhonetes roubadas foram recuperadas. Uma delas pertence a um pecuarista assaltado em março, no bairro Água Limpa, em Araçatuba.
A acusada ficou presa em flagrante por receptação e também por posse ilegal de munições que foram encontradas na casa dela, que fica na rua Liberdade.
A ação foi coordenada pela Polícia Civil de Santo Antônio do Aracanguá, com apoio da DIG (Delegcia de Investigações Gerais) de Araçatuba. O inquérito investiga dois roubos ocorridos em propriedades rurais no município, um em fevereiro e outro em abril deste ano.
Assaltos
No primeiro caso, a quadrilha utilizou uma camionete VW Amarok prata e entre outras coisas, roubou outra caminhonete, uma GM S10 branca. Já no outro assalto, os bandidos utilizaram um GM Captiva preta.
Os investigadores identificaram as placas utilizadas na Amarok e apuraram que ela estaria em uma casa na rua Liberdade, bairro São Cristóvão, em Birigui. Foi representado representada pela busca e apreensão no endereço informado e o mandado foi expedido pela 2ª Vara Criminal de Araçatuba.
Equipes de Aracanguá e da DIG de Araçatuba foram ao local e permaneceram observando à distância. Os policiais fizeram a abordagem quando a investigada saiu para lavar a Amarok que estava estacionada na rua.
Informada sobre o mandado de busca, ela contou que o veículo pertence ao marido dela, um mecânico de automóvel de 35 anos, que não estava em casa.
Roubo pecuarista
Ao verificar o chassi da caminhonete, os policiais descobriram que ela estava com placa adulterada e que na verdade, foi roubada de um pecuarista de Araçatuba, crime registrado na Polícia Civil em 16 de março.
Na ocasião, o homem de 74 anos foi sequestrado e teve mais de R$ 30 mil roubados pelos bandidos, que fizeram saques e transferências usando o cartão bancário dele, enquanto era mantido refém em canavial.
A vítima foi abordada por três ladrões em uma caminhonete Toyota Hilux que pediram informações quando estava na propriedade dela, no bairro rural da Prata. O pecuarista foi obrigado a ingerir a bebida, fingiu estar embriagado e os ladrões o abandonaram no canavial perto de Guararapes.
Munições
Após vistoriarem a caminhonete roubada em Araçatuba, os investigadores fizeram buscas na casa da investigada e apreenderam duas munições, uma calibre 357 e outra calibre 22.
Também foi encontrado o documento da Captiva com placas de Maringá (PR), que teria sido usada em um dos assaltos em Aracanguá, dois televisores e um RG aparentemente adulterado, com a foto do mecânico investigado.
Tatuagens
A vítima do roubo ocorrido em fevereiro é um homem de 52 anos, também residente em Araçatuba. Ele contou que na ocasião seguia pela estrada entre Aracanguá e Sud Mennucci com uma Amarok.
Ao parar parar ajudar uma mulher que estava com um veículo escuro, que depois apurou-se ser uma Capitiva, ele foi rendido por dois assaltantes, obrigado a beber dois litros de cachaça e tomar alguns comprimidos de Rivotril que estavam na caminhonete.
Os bandidos foram na fazenda dele e roubaram um televisor, várias peças de carne que estavam no freezer e uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.
Antes de liberarem a vítima na estrada do Anhagaí, fizeram saque em um caixa eletrônico com o cartão bancário roubado. Os ladrões também levaram um talão de cheques, um celular e a caminhonete.
Reconhecida
Como a vítima disse à polícia que a mulher que participou do assalto tinha uma tatuagem grande nas costas, os investigadores fizeram fotos dela, que também tem uma tatuagem nas costas, e lhe enviaram.
Ao receber a foto da investigada, ele a reconheceu como sendo a mulher que participou do roubo acompanhada dos dois homens.
A jovem confessou participação no assalto, na companhia do marido dela, e levou os policiais até um motel às margens da rodovia Deputado Roberto Rollemberg (SP-463), onde estava a caminhonete S10 roubada da outra vítima, em 7 de abril deste ano.
Auriflama
Nesse caso, as vítimas são dois moradores em Auriflama, que naquela manhã passavam pela estrada entre Aracanguá e Sud Mennuci com a caminhonete e foram rendidos por três homens em uma Amarok.
Assim como aconteceu em Araçatuba, eles pediram informações sobre um sítio, mas em seguida anunciaram o assalto. As vítimas tentaram fugir, mas houve um disparo de arma de fogo e o condutor da S10 decidiu se render.
Os bandidos amarraram os dois homens em um local desconhecido, roubaram os cartões bancários e as respectivas senhas e informaram que após realizarem saques, os soltariam.
Uma das vítimas também foi obrigada a ingerir bebidas alcoólicas e os dois foram deixados amarrados em um canavial.
Aluguel
Em contato com o responsável pelo motel em Birigui, os policiais foram informados que o mecânico investigado estava pagando diária de R$ 70,00 para deixar a S10 estacionada no pátio. Os policiais constataram que ela estava com placas de Buritama, que não são as originais.
A Captiva utilizada no primeiro assalto havia já havia sido encontrada abandonada em um canavial próximo ao local onde a vítima foi abordada. A polícia apurou que o veículo é um dublê e ele está apreendido na Delegacia de Aracanguá.
A jovem investigada foi presa em flagrante e como a soma das penas de receptação e posse irregular de munição ultrapassa quatro anos, não foi arbitrada fiança e ela ficou à disposição da Justiça. A Polícia Civil representou à Justiça pela conversão da prisão em preventiva.
Mais objetos
A polícia também encontrou na residência do casal investigado várias bijuterias e uma corrente de ouro com a letra M, que a jovem disse ter sido arrancada do pescoço de uma das vítimas durante um dos assaltos.
Como esses objetos não foram relacionados pelas vítimas ao denunciarem os roubos, eles foram devolvidos após serem relacionados.