Polícia

Advogados aguardam procuração para defender juiz preso

Wellington José Prates é acusado de supostos crimes de armazenamento e divulgação de material de conteúdo proibido

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
07/10/22 às 16h54
O juiz de direito Wellington José Prates está no Romão Gomes, em São Paulo (Foto: Divulgação/Arquivo)

Os advogados Adriano Britto e Alex Benante, que defendem o juiz de direito Wellington José Prates, de Araçatuba (SP), no Processo Administrativo Disciplinar que resultou no afastamento das funções dele no ano passado, ainda aguardam procuração para representá-lo e ou defendê-lo no processo que resultou na prisão preventiva que foi cumprida na última quarta-feira (5).

Eles, que acompanharam o cumprimento dos mandados de busca e apreensão em Araçatuba e José Bonifácio, onde o magistrado foi preso, confirmaram que a prisão não está relacionada ao procedimento que tramita no TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo).

“A diligência e prisão ocorridas na última quarta-feira não têm nenhuma relação com os fatos que foram investigados no referido processo administrativo disciplinar, nem tampouco com as atividades funcionais ou com o cargo do Dr. Wellington” , informa em nota enviada ao Hojemais Araçatuba .

Segredo

Os advogados confirmam que os mandados judiciais foram cumpridos por ordem do Órgão Especial do Tribunal de Justiça, referentes a um procedimento que corre em segredo de justiça. “Portanto, não era do conhecimento do magistrado nem tampouco desses advogados, procedimento esse que foi instaurado para apurar supostos crimes de armazenamento e divulgação de material de conteúdo proibido” , consta na nota.

Eles explicam que acompanharam as referidas diligências e a execução da prisão, a pedido do próprio juiz, devido à necessidade de que os atos fossem acompanhados de advogados, de um membro do Ministério Público e de um juiz representante do TJ-SP.

Entretanto, até a tarde desta sexta-feira (7) os defensores não haviam obtido a procuração de Prates para ter acesso ao processo e representá-lo. O juiz segue preso no Romão Gomes, em São Paulo, que é uma unidade destinada a abrigar policiais militares que respondem a processo ou em cumprimento de pena.

Prisão

Os mandados judiciais contra o juiz foram solicitados pela PGJ (Procuradoria-Geral de Justiça) do MP-SP (Ministério Público de São Paulo). Eles foram cumpridos por equipes da Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) da Polícia Civil de Araçatuba.

Prates foi localizado em um rancho na beira do rio Tietê, no município de José Bonifácio, na divisa com Barbosa, cidade vizinha a Penápolis. As equipes estavam acompanhadas de um promotor de Justiça, representando a PGJ, e de um juiz, representando o TJ-SP.

Foram realizadas buscas nessa propriedade e em um endereço ligado ao juiz, em Araçatuba. Foram apreendidas três armas de fogo que estariam sem registro, computadores e celulares, que passarão por perícia.

Processo Administrativo Disciplinar contra o juiz aguarda julgamento

A defesa do juiz de direito Wellington José Prates no Processo Administrativo Disciplinar que resultou no afastamento das funções dele no ano passado informa que o procedimento teve sua instrução encerrada no mês de agosto e aguarda data para julgamento.

O magistrado, que era titular da 2ª Vara Criminal de Araçatuba, foi acusado de delegar tarefas a servidores, inclusive a condução de audiências e a elaboração de decisões.

Segundo os advogados Adriano Britto e Alex Benante, nesse procedimento foram juntados inúmeros documentos apresentados pela defesa e ouvidas oito testemunhas indicadas pelo magistrado. Dentre elas, um juiz de Direito, promotores de Justiça, defensor público, delegado de polícia, advogados e cartorários.

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