Ações conjuntas como a
“Operação Regresso”
, que foi deflagrada na última sexta-feira (31) para cumprimentos dez mandados prisão e de mandados de busca e apreensão contra integrantes da facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), são importantes para combater o avanço do crime organizado na cidade e região, segundo as autoridades.
Em entrevista coletiva para falar sobre a operação, o promotor de Justiça do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), Rodrigo Alves Gonçalves, comentou que Araçatuba sempre foi vista com uma localidade de criminalidade média.
Segundo o Anuário de Segurança Pública, divulgado na semana passada pelo FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública), Araçatuba aparece na 164ª posição do ranking de mortes violentas entre os municípios com mais de 100 mil habitantes.
O levantamento é referente a 2025, quando a cidade registrou 15,4 assassinatos a cada 100 mil habitantes. Como comparativo, o Estado menos violento do País, de acordo com o anuário, é Santa Catarina, que registrou índice de 7,6 assassinatos a cada 100 mil habitantes, ou seja, a metade. O Estado de São Paulo registrou taxa 7,8 mortes violentas a cada 100 mil habitantes.
Entre os municípios paulistas, Araçatuba aparece no ranking atrás apenas de Caraguatatuba, que está na 142ª colocação, com 17,6 mortes violentas para cada 100 mil habitante, e Rio Claro, na 143ª colocação (17,6). Birigui, que é a outra cidade da região com mais de 100 mil habitantes, figura na posição 209 no Brasil, com 11,4 assassinatos a cada 100 mil habitantes em 2025.
Potencial
Para o promotor do Gaeco de Araçatuba, a cidade tem potencial para conviver com o aumento do índice de criminalidade.
“Araçatuba, ela é um ambiente que se você não sufocar legalmente esses grupos, o crime aqui vai ser fortalecido de um jeito que você não consegue retroceder depois”
, declarou.
Gonçalves explicou que essa condição é favorecida por questões de logística, já que o município tem acesso fácil por importantes rodovias. De acordo com ele, muitas das pessoas investigadas na Operação Regresso têm ligações com claríssimas com as fronteiras de São Paulo com Mato Grosso do Sul e Paraná, que é por onde boa parte da droga distribuída na região entra.
Inclusive, um dos homens que teve a prisão decretada pela Justiça e que foi capturado na última sexta-feira, em Penápolis, seria ligado ao PCC do Paraná, segundo o que foi informado durante a entrevista.
“A gente sempre fala: o Gaeco, a Polícia Civil e a Polícia Militar têm limites territoriais de atuação e a criminalidade não. E Araçatuba sim, estava se tornando um local hostil, bom para esse tipo de prática do crime organizado”
, reforçou.
Delegado Cotait (direita) destaca a importância de prender lideranças do PCC (Foto: Reprodução)
Lideranças
Também presente na coletiva, o delegado Divisionário da Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) de Araçatuba, Carlos Henrique Cotait, comentou que há tempos esse trabalho em conjunto da Polícia Civil com a Polícia Militar e com o Gaeco vem ocorrendo de forma pontual, objetiva e tirando de circulação, lideranças responsáveis pelas rivalidades.
“Se você olhar os homicídios, houve queda razoável (após a Operação Ligações Perigosas) e esses grupos, essa disputa, naturalmente ela diminui”,
informou.
Na última semana, a SSP (Secretaria de Administração Penitenciária) divulgou as estatísticas criminais do mês de junho, fechando o primeiro semestre. E os números comprovam queda significativa nos homicídios na cidade em 2026, se comparado com o primeiro semestre de 2024.
Em setembro daquele ano, foi deflagrada a
“Operação Ligações Perigosas”
, também resultado de investigação entre a polícia e o Gaeco. Na ocasião, foram expedidos 35 mandados de prisão temporária e 104 mandados de busca e apreensão, contra suspeitos de também integrarem o PCC.
O objetivo foi confirmar a suspeita de possível infiltração da facção criminosa na política local e no tráfico de drogas e homicídios, principalmente no bairro São José, onde ocorreram vários assassinatos naquele ano.
Imagem: Ilustração
Homicídios
De acordo com a SSP, somente no primeiro semestre de 2024 foram registrados 18 homicídios em Araçatuba, média de três por mês, além de 14 tentativas de homicídio. De janeiro a junho de 2025, foram dez assassinatos e nove tentativas e, nos primeiros seis meses de 2026, o número de assassinatos caiu ainda mais.
Foram oito casos registrados no período na cidade, ou seja, menos da metade do ocorrido nos primeiros seis meses de 2024. Araçatuba também registrou dez tentativas de homicídio no primeiro semestre deste ano.
Lideranças
Cotait comentou na coletiva que apesar de parte dessas lideranças terem sido identificadas, os homicídios não deixam de acontecer, mas eles são investigados pela Deic e muitos são esclarecidos. Porém, destacou que muitos outros foram evitados devido a esse trabalho conjunto ter tirado de circulação, lideranças da facção criminosa PCC.
Tanto o delegado quanto o promotor de Justiça do Gaeco consideram que ainda há muito trabalho a ser feito e afirmam que essa união de esforços contra o crime organizado terá sequência, agora ainda mais fortalecida, com a criação do Necoold (Núcleo Especializado de Combate à Criminalidade Organizada e à Lavagem de Dinheiro).
Esse novo núcleo foi oficializado pela SSP em portaria publicada no Diário Oficial do Estado em maio deste ano, sendo que Araçatuba conta como um projeto piloto. E a “Operação Regresso” já é resultado desse trabalho conjunto, com base em informações obtidas através de um celular apreendido com uma liderança do PCC, durante a “Operação Ligações Perigosas”, em setembro de 2024.