A “Operação Regresso” , que foi deflagrada na sexta-feira (SP) contra pessoas que teriam ligação com a facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), teve início a partir de informações extraídas de um dos celulares apreendidos durante a “Operação Ligações Perigosas” , deflagrada em setembro de 2024.
Na ocasião, foram expedidos 35 mandados de prisão temporária e 104 mandados de busca e apreensão, relacionados à suspeita de infiltração da facção criminosa na política local, no tráfico de drogas e no esclarecimento de homicídios.
Com relação à “Operação Ligações Perigosas”, pelo menos onze investigados denunciados já foram condenados, com penas que chegam a 18 anos de prisão. Ainda há processos tramitando na Justiça Estadual e também na Justiça Eleitoral, que aceitou denúncia contra cinco réus, na investigação relacionada à possível infiltração da facção criminosa na política local.
Investigações conjuntas
As duas operações são resultado de investigação conjunta da Polícia Civil com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e da Polícia Militar. Desta vez, no caso da Polícia Civil, o trabalho é conduzido pelo Necoold (Núcleo Especializado de Combate à Criminalidade Organizada e à Lavagem de Dinheiro), que foi oficializado em portaria publicada no Diário Oficial do Estado em maio deste ano, como um projeto piloto em Araçatuba.
Em entrevista coletiva concedida após o cumprimento dos mandado na sexta-feira, o delegado Divisionário da Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) de Araçatuba, Carlos Henrique Cotait, revelou que demorou cerca de um ano até ser possível quebrar a senha e ter acesso ao conteúdo desse aparelho apreendido na “Operação Ligações Perigosas”.
De acordo com ele, o conteúdo desse aparelho foi compartilhado com a Polícia Militar, que também faz um monitoramento constante de integrantes do PCC, e houve o envolvimento do Gaeco, para chegar até os novos pedidos de mandados de busca e de prisão, que foram cumpridos na sexta-feira.
Duas investigações
Segundo o promotor de Justiça do Gaeco de Araçatuba, Rodrigo Alves Gonçalves, a investigação permitiu identificar quem seriam os coordenadores da “Sintonia do Progresso” da facção, que é o setor responsável pelo tráfico de drogas, em Araçatuba.
Porém, o delegado coordenador do Necoold, Juliano Albuquerque Goes, revelou que na verdade há duas investigações em andamento, uma relacionada à “Sintonia do Progresso” da região 018 e a outra apura o grupo ligado ao setor disciplinar do PCC, que é o responsável pelo chamado “Tribunal do Crime”.
“Já detectamos tratativas para coagir testemunhas, condução de integrante ao chamado tribunal do crime, e questões relacionadas a violência doméstica e furto” , informou.
Segundo o que foi divulgado, com base nessas informações, foi possível identificar e prender pessoas que estariam envolvidas com crimes de ameaça, entre outras, por meio de investigações paralelas, antes mesmo da deflagração da operação nesta sexta.
Com isso, segundo a polícia, foi possível evitar que pessoas que eventualmente seriam inocentes, não fossem levadas a julgamento pelo Tribunal do Crime do PCC em Araçatuba e na região 018.
