O revólver apreendido com Leandro Lopes Rosa da Silva, 36 anos, que morreu durante cumprimento a mandado de busca e apreensão na casa dele, em Penápolis, nesta sexta-feira (31), era um dos alvos dos cumprimentos de mandados de busca durante a “Operação Regresso” .
Essa operação é resultado de investigação do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) em conjunto com a Polícia Civil e com a Polícia Militar e tem como alvos, pessoas ligadas à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital).
Conforme já havia sido divulgado, um dos objetivos das buscas era justamente apreender armas de fogo, drogas, celulares, documentos, valores e registros contábeis relacionados ao tráfico de drogas e outros crimes supostamente praticados pelos investigados.
Além do investigado que acabou morrendo durante o cumprimento dos mandados, outro homem foi preso em Penápolis. No caso dele, havia um mandado de prisão expedido pois a investigação apontou que ele teria ligação com o PCC no Estado do Paraná.
Revólver
Durante entrevista coletiva na manhã desta sexta-feira, o delegado Divisionário da Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) de Araçatuba, Carlos Henrique Cotait, revelou que com relação a Silva, as investigações apontaram que ele havia adquirido um revólver de uma liderança do PCC.
Um dos objetivos da busca na casa dele era justamente encontrar essa arma e, de acordo com o que foi informado, ela teria sido utilizada para atirar contra equipe do Baep (Batalhão de Ações Especiais de Polícia) que cumpriram o mandado.
“Uma das armas que a gente buscava com ele, que a gente apurou que ele comprou de uma liderança do PCC, foi justamente a que ele teria utilizado para atirar contra os policiais, ao resistir durante o cumprimento ao mandado de busca” , declarou o delegado.
Resistência
A reportagem apurou que os policiais militares chegaram à casa de Silva pouco depois das 6h. Eles pularam o muro e quando estavam no corredor lateral, o morador teria saído da residência já empunhando a arma de fogo.
Ele teria feito um disparo contra a equipe e houve o revide. Um dos policiais atirou duas vezes e o outro fez três disparos contra Silva, que chegou a ser socorrido por equipe de resgate, mas não resistiu aos ferimentos.
Ainda de acordo com o que foi apurado pela reportagem, a esposa do alvo das buscas estava em casa e relatou que após o casal ouvir o cachorro latir, o marido dela saiu para ver o que acontecia. Em seguida ela ouviu vozes, seguidas de disparo de arma de fogo e na sequência foi informada por um policial militar que Silva havia sido baleado.
Investigação
Além do revólver com cinco munições intactas e uma deflagrada que estaria com o investigado, a polícia apreendeu três celulares, um notebook, dois coldres, um HD, um kit de limpeza de arma, dois pen-drives e cerca de R$ 4.600,00 em dinheiro.
Também foi recolhido o aparelho de DVR que supostamente grava as imagens do sistema de monitoramento do imóvel, assim como as armas dos policiais foram recolhidas para passar por perícia. O próprio delegado e o promotor de Justiça do Gaeco de Araçatuba, Rodrigo Alves Gonçalves, estiveram no local para acompanhar a perícia e colher informações.
Antecedentes
Ainda durante a coletiva, o representante do Ministério Público informou que Silva tinha passagens criminais anteriores, o que foi confirmado por Cotait, que informou que ele havia sido investigado várias vezes, com registros de antecedentes por porte de arma, tentativa de homicídio e roubo.
A reportagem encontrou no site do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), um processo por tráfico de drogas de 2009, no qual ele foi condenado e a pena já foi cumprida.
Tiros
Silva também foi julgado e absolvido pelo Tribunal do Júri junto com outros dois réus, que foram denunciados por uma tentativa de homicídio ocorrida em 2021, quando a caminhonete conduzida por uma advogada foi alvo de disparos de arma de fogo.
A vítima estava acompanhada de outras três pessoas, entre elas uma criança, e teve o veículo interceptado por ocupantes de um Hyundai Ix35, que teriam feito os disparos.
Na mesma noite, durante diligências na rua Getúlio Vargas, policiais militares viram um dos denunciados saindo de um Fiat Uno e notaram que os outros dois estavam na calçada. Debaixo de um dos bancos do veículo foi apreendido um revólver de calibre 357 com dois cartuchos intactos.
Eles informaram que havia uma Ix35 em uma empresa automotiva, o veículo foi encontrado e apreendido para ser periciado, junto com a caminhonete alvejada por disparos. Porém, durante o julgamento os jurados reconheceram a materialidade do crime, mas absolveram os réus por não reconhecerem a autoria.
