A Polícia Civil de Birigui (SP) apreendeu nesta quinta-feira (30), diversas mercadorias novas encontradas na casa de um morador na cidade, que é investigado por suspeita de liderar um esquema de vários tipos de golpes cibernéticos.
Entre eles, estaria o golpe do falso advogado, que teria rendido cerca de R$ 100.000,00 ao investigado somente no ano de 2024. Além disso, segundo a polícia, até o final de junho deste ano, ele possuía 144 chaves Pix vinculadas a e-mails de provedor temporário, que serviriam para receber dinheiro proveniente de golpes.
A apreensão das mercadorias e de demais objetos é resultado de inquérito instaurado pelo 1º Distrito Policial, presidido pelo delegado Ícaro Oliveira Borges, a partir de uma investigação no final de 2025, relacionada ao tráfico de drogas.
Segundo o que foi apurado, além de terem sido confirmados os indícios de que o alvo dessa investigação estava praticando o comércio de entorpecentes, ficou constatado que ele teria ingressado no esquema de fraudes virtuais, liderado pelo alvo das buscas que teve as mercadorias apreendidas.
Golpes
Dando sequência às investigações, já neste ano a polícia descobriu que os dois investigados estariam envolvidos em ao mesmo três modalidades de golpes virtuais. Um deles é o chamado “Carding/Pharming”, que é a obtenção e validação de dados de cartões de crédito furtados ou gerados de forma fraudulenta, para realizar compras online.
Eles também estariam envolvidos com o golpe do falso advogado oferecendo, mediante pagamento para criminosos, dados de pessoas vinculadas ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) e site jurídico (dados processuais), fazendo delas potenciais vítimas.
Lucro
Ainda durante as investigações, a polícia encontrou conversa do suposto líder do grupo com outros integrantes, na qual ele afirma que obteve R$ 100.000,00 em 2024, apenas com o golpe do “falso advogado”, o que para a polícia denota alto grau de especialização criminal e expressiva lesão patrimonial a terceiros.
Por fim, os investigados também teriam desenvolvido páginas fraudulentas clonadas de lojas virtuais reais, para capturar dados de cartões e informações pessoais de consumidores que acabavam sendo enganados.
A investigação apontou ainda que o suposto líder do esquema mantinha 144 chaves Pix vinculadas a e-mails de provedor temporário, para receber valores ilícitos. Para a polícia, com isso, era possível pulverizar os ativos e assegurar a execução, ocultação, impunidade ou vantagem dos crimes.
Ensinava
Além disso, também ficou constatado que esse investigado atuaria como “professor” de outros integrantes, ensinando como aplicar golpes na internet.
Diante de tudo o que foi apurado, o delegado representou pelos mandados de busca e apreensão para os endereços ligados aos investigados. As ordens judiciais foram emitidas e cumpridas nesta quinta-feira, por equipes do 1º e do 2º Distrito Policial.
Segundo a polícia, na casa do investigado incialmente por tráfico de drogas, nada de interesse policial foi encontrado e ele declarou ter “saído dessa vida”, ou seja, que não estaria mais envolvido com a criminalidade.
Mercadorias
Já na casa do suposto líder do esquema, os policiais apreenderam diversos produtos novos, ainda na embalagem, entre fogão de mesa elétrico, cafeteira, batedeira, liquidificadores, câmeras de segurança e parafusadeiras.
Também havia de câmaras de ar para motos, cabo de embreagem, corrente e relações de motos, módulo amplificador de som automotivo, encolhedor de molas e até pacotes e potes de creatina.
Investigação
De acordo com a polícia, ao receber os produtos, o investigado rasgava as etiquetas coladas nas embalagens com a identificação dos destinatários dos produtos. Apenas uma das caixas foi encontrada com a nota fiscal e a respectiva etiqueta de entrega.
A polícia tentará identificar a possível vítima que pode ter os dados utilizados indevidamente para a compra, a qual poderá contribuir com as investigações. Também foi recolhida uma máquina de cartão de crédito, três cartões bancários em nome de terceiros, a CPU de um computador e um celular, que serão encaminhadas para a perícia.
Os dados extraídos desses aparelhos serão analisados e as investigações terão sequência no inquérito policial, para as devidas providências legais cabíveis, esclarecimento dos fatos e responsabilização criminal dos autores.
