Polícia

Casal desaparecido foi ouvido em inquérito que investiga tentativa de homicídio em Birigui

Autor do crime procurou a polícia na quarta-feira alegando que foi atacado pela vítima nesta quarta-feira

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
22/10/20 às 09h40

O casal de Birigui (SP) que está desaparecido, de quem pode ser os corpos que foram encontrados carbonizados dentro de um carro no último sábado (17), em Coroados, foi ouvido pela Polícia de Birigui em inquérito que investiga uma tentativa de homicídio ocorrida no final de julho.

Um terceiro suspeito dessa tentativa de homicídio, um operário de 39 anos, esteve na delegacia nesta semana, alegando que o homem esfaqueado na ocasião tentou matá-lo.

Na versão dele, o esfaqueado estava acompanhado de dois desconhecidos e disse que o mataria queimado, como havia acontecido com os dois desaparecidos. Ainda segundo o operário, na ocasião da tentativa de homicídio, ele mantinha um relacionamento amoroso com a jovem desaparecida, que teria testemunhado o crime. 

Reconhecimento

Familiares da jovem desaparecida reconheceram o Ford Ka no qual os corpos foram encontrados como sendo o da mãe dela. Entretanto, a Polícia Civil aguarda resultado de exame de DNA para confirmar a identificação das vítimas.

Como a polícia não da detalhes da investigação, a reportagem procurou a SSP (Secretaria de Segurança Pública) do Estado, que informou apenas que um inquérito foi instaurado na Delegacia de Coroados, que tem apoio da Delegacia de Birigui na investigação.

"Exames periciais foram solicitados e estão em elaboração. As diligências prosseguem visando a elucidação dos fatos", informa em nota.

Facadas

Na madrugada de 24 de julho, um homem de 38 anos foi encontrado esfaqueado na rua Basílio Bafi, no bairro São José, em Birigui, e disse que havia sido atacado por um casal.

Ele relatou que era morador em Francisco Morato e, mesmo ferido, conseguiu pular o muro de uma residência e pediu socorro.

O boletim de ocorrência da tentativa de homicídio foi apresentado na delegacia três dias depois, apesar de a Polícia Militar ter apresentado na delegacia no dia seguinte, um isqueiro e uma chave que pertenceriam à vítima.

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Facadas

O operário foi ouvido pela polícia em 27 de julho e confirmou ter esfaqueado o morador em Francisco Morato. De acordo com ele, todos costumavam frequentar a casa onde ocorreu a tentativa de homicídio. O seria conhecido como “fumódromo” e seria usado por usuários de crack.

Naquela noite, de acordo com o operário, estavam na casa casal desaparecido ele e o morador em Francisco Morato, com o qual se desentendeu porque ele teria fumado 11 pedras de crack e furtado R$ 50,00 em dinheiro dele.

O desentendimento teria ocorrido na frente do “ fumódromo” e, durante a briga, o operário disse que pegou uma faca que usaria para cortar pão e golpeou a vítima no peito.

Jovem

Ele alegou que mesmo ferida a vítima correu, mas caiu no chão e voltou a ser atacada com a faca por ele. Na versão dele, ao tentar separá-los, a jovem desaparecida foi agarrado pelo pescoço para ser usada como escudo.

Para não ferir a jovem, com a qual mantinha um relacionamento, ele teria parado as agressões e se afastado.

Ainda na versão apresentada pelo investigado na época, o outro desaparecido, que havia testemunhado o crime, foi chamado pela vítima para ajudá-la, enquanto ele deixou o local com a jovem.

O investigado afirmou para a polícia que o casal desaparecido não teve nenhum envolvimento com a tentativa de homicídio.

Incendiado

Na madrugada de quarta-feira ele voltou à delegacia, desta vez para denunciar que o morador em Francisco Morato tentou matá-lo.

O operário disse que consumia crack em um local conhecido como Lagoa, no Parque das Nações, quando foi abordado pelo esfaqueado por ele, que estaria acompanhado por dois homens.

Além de ter sido agredido com socos e chutes, levou uma paulada na cabeça e caiu no chão. Em seguida, teve pés e mãos amarrados com o cadarço do próprio tênis e o trio teria enrolado um pedaço de arame no corpo dele.

Fogo

Segundo o operário, ele foi colocado sobre um sofá velho que havia no local onde consumia crack e o morador em Francisco Morato disse que ele iria morrer queimado, igual o casal encontrado carbonizado no carro.

O trio teria ateado fogo no sofá, mas como fingiu estar desacordado, os três fugiram e ele conseguiu se jogar no chão.

O operário disse que após desamarrar as mãos e retirar o arame farpado que estava enrolado nas pernas dele, correu para a casa dele e pediu ajuda para a companheira, que acionou o resgate que o levou ao pronto-socorro.

Entretanto, apesar de estar ferido, ele não aguardou receber atendimento médico, deixando o hospital para ir à delegacia comunicar o crime.

O caso é investigado.

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