Polícia

Cetesb confirma que empresa de reciclagem lacrada em Birigui não tinha licença

Também foi constatado o furto de energia elétrica e de água; responsável deixou o local durante a ocorrência

Lázaro Jr. - Agência Trio Notícias
23/05/26 às 06h37

A Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo) confirmou que a empresa de reciclagem instalada no bairro Primavera, em Birigui (SP), que foi alvo de fiscalização na tarde de quinta-feira (21), estava operando sem as devidas licenças ambientais.

De acordo com o órgão, diante do que foi constatado por técnicos da companhia durante a vistoria, a Cetesb adotará as medidas cabíveis, as quais não foram informadas neste momento.

Conforme já divulgado, a fiscalização foi coordenada pela Secretaria de Municipal de Segurança, após moradores queixarem do mal cheiro e também da existência de moscas nas residências, em função da operação dessa empresa no local.

A Prefeitura confirmou em nota nesta sexta-feira, que o estabelecimento já havia sido lacrado por irregularidades, pelo Setor de Tributação em 2023, após denúncia. Segundo o que foi divulgado, apesar de os problemas não terem sido resolvidos, os responsáveis romperam o lacre a empresa estaria operando de forma clandestina.

Empresa produzia plástico granulado para transformação (Foto: Divulgação)

Atividade

Essa empresa atua no processamento de plástico reciclado para a produção de plástico granulado, utilizado como matéria-prima para indústria de mesas, cadeiras e caixas plásticas.

A Polícia Civil também esteve no local, representada pelo delegado Nilton Aparecido Marinho, responsável pelo 2º Distrito Policial. Em conversa com um funcionário, este informou que ultimamente empresa estava adquirindo apenas plásticos que são utilizados em uma granja de Guararapes, nos aviários.

Segundo o que foi relatado, esses plásticos chegavam com fezes e penas de frangos, eram cortados manualmente e jogados no moedor, com água para a lavagem, enquanto eram moídos. Após lavado, esse material era enviado junto com o material picotado para tanques de água na área externa do galpão, onde deveria ocorrer a condensação, para separação da matéria-prima.

Esgoto

Nesse tanque havia uma mangueira ligada a uma bomba, que mandava a água para o moedor, para ser reaproveitada, mas quando não tinha mais condições de uso, ela era lançada diretamente na rede pública, sem tratamento.

Em nota divulgada pela Prefeitura, o secretário municipal de Segurança informa que foram encontrados vestígios de penas e até pés de frangos em meio o material. “Além disso, havia máquina trabalhando em alta temperatura, produzindo odor forte e fumaça. Fora outras irregularidades identificadas no local” , descreve.

Furto

Ainda durante a fiscalização, foi constatado que o abastecimento de água do imóvel havia sido interrompido há alguns anos, mas teria sido religado de forma clandestina, sendo encontrados sinais de violação no hidrômetro.

O mesmo aconteceu com relação à energia elétrica, que também teria sido desligada em 2020, mas foi encontrada uma ligação clandestina. Segundo o que foi informado à polícia, os órgãos competentes interditaram novamente o prédio após a realização da perícia, com apoio técnico do Saeb (Serviço de Água e Esgoto de Birigui) e da CPFL Paulista.

Crimes

Durante a fiscalização, o responsável pela empresa, que estava acompanhando os trabalhos, solicitou a presença do advogado. Um profissional esteve presente e, após conversa com ele, o empresário comunicou que pegaria um documento dentro do barracão, mas acabou deixando o prédio sem autorização.

Ele inicialmente deve ser investigado por possível crime ambiental e por furto de energia elétrica e de água, mediante fraude. Um inquérito será instaurado e a polícia aguardará a emissão dos respectivos laudos.

O prédio teve o fornecimento de água e de energia elétrica novamente cortado e o prédio foi novamente lacrado e interditado pela Prefeitura. 

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