Dois presos que cumpriam pena no regime semiaberto no CPP (Centro de Progressão Penitenciária) de Valparaíso (SP) fugiram durante motim registrado na noite de segunda-feira (16).
Atos de insubordinação ocorreram em outras unidades prisionais do Estado no início da noite, inclusive em Mirandópolis, após a saída temporária prevista para começar nesta terça-feira (17) ter sido suspensa devido ao risco de contaminação pelo coronavírus.
Segundo apurado pelo Hojemais Araçatuba , a fuga dos sentenciados foi comunicada à Polícia Civil pouco depois das 20h.
Equipe de investigadores foi até o presídio onde já estavam policiais militares e integrantes do GIR (Grupo de Intervenção Rápida) da SAP.
O que foi informado pela direção do presídio é que após os sentenciados serem recolhidos, alguns deles, que ocupavam dois pavilhões, quebraram os cadeados e os trincos de dois portões.
Eles se concentraram na área de convívio comum, próximo ao alambrado. Dois deles, que não tinham sido identificados até esta manhã, escalaram a tela e fugiram por um canavial no fundo do presídio.
Recuo
Após intervenção dos agentes de segurança penitenciária, houve negociação e os presos amotinados recuaram, retornando às celas.
Mais equipes da Polícia Militar e do GIR estiveram presentes no CPP de Valparaíso para ajudar no controle da situação e foi solicitada perícia para apurar os danos causados na estrutura.
A identificação dos presos que conseguiram fugir seria feita apenas após a contagem dos sentenciados.
Superlotação
O CPP de Valparaíso tem capacidade para abrigar 691 presos. Entretanto, na última sexta-feira (13), de acordo com a SAP, havia uma população carcerária de 1.866 homens na unidade, ou seja, quase 1 mil a mais do que foi projetado.
Parte deles deveria ser beneficiada com a saída temporária a partir desta semana, mas o benefício foi temporariamente suspenso.
A medida, de acordo com a assessoria de imprensa do TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), foi determinada pela Corregedoria Geral da Justiça, atendendo solicitação da SAP.
Crise
A suspensão da saída temporária leva em consideração a grave crise de saúde pública enfrentada pelos órgãos de gestão e população em geral, quanto à disseminação do novo coronavírus.
“De acordo com a decisão, a saída dos detentos deverá ser remarcada pelos juízes corregedores dos presídios, por ato conjunto ou isoladamente, conforme os novos cenários e em melhor oportunidade”, informa nota da assessoria.
Para o Poder Judiciário, se fosse concedida a saída temporária no prazo previsto, quando há uma pandemia da doença, ao retornarem ao sistema prisional, os detentos seriam potenciais transmissores do coronavírus aos demais encarcerados.