O araçatubense Edgar dos Santos Silva, o Edgarzinho, 52 anos, foi expulso da prisão na Bolívia, onde estava desde maio de 2018. Ele foi detido acusado de negociar armas pesadas para trazer ao Brasil, segundo divulgou a imprensa boliviana na época.
Na ocasião, ele portava um documento que teria sido expedido pelo Exército Brasileiro e tinha bilhetes com coordenadas geográficas de pistas de pouso, o que levou a polícia boliviana a procurar a Polícia Federal brasileira.
De acordo com o site El Deber, de Santa Cruz de la Sierra, o araçatubense deixou o país na última quinta-feira (19), junto com outros dois prisioneiros.
Um deles é Mariano Tardelli, acusado pelo governo boliviano de participar do assalto a um carro forte de transporte de valores da Brinks, em 30 de março de 2017, e Jesús Carlos Roberto.
Facção
Os três são acusados de integrar uma das principais organizações criminosas do Brasil e, de acordo com o que foi relatado à imprensa, foram extraditados porque estariam se preparando para gerar distúrbios nos presídios bolivianos.
O trio estava na prisão de Palmasola e no aeroporto, enquanto o ministro do governo, Arturo Murillo, explicava à imprensa o motivo das extradições, Tardelli teria começado a gritar que não havia ordem de transferência fez gestos obscenos com as mãos.
Eles foram encaminhados para fronteira com o Estado do Mato Grosso do Sul e teriam sido entregues à Polícia Federal.
Outros 26 estrangeiros presos na Bolívia serão gradualmente expulsos do país, segundo o que foi divulgado.
Maconha
Edgarzinho foi preso na Bolívia menos de um mês após ter obtido a liberdade provisória no Brasil, benefício concedido pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Em setembro de 2017, ele e outros cinco acusados foram presos pela Polícia Militar em uma chácara na rodovia Gabriel Melhado (SP-461), em Birigui.
O imóvel pertencia ao ex-presidiário Agnaldo Fernando de Oliveira, 47, o Agnaldinho, morto em confronto com a polícia um mês antes, em outro flagrante de tráfico. Na ocasião, foram apreendidos 120 quilos de maconha e um quilo de pasta base de cocaína.
Por determinação do ministro Marco Aurélio Mello, os seis foram soltos em abril de 2018, por estarem há mais de seis meses na cadeia sem uma denúncia formal.
Preventiva
Após tomar conhecimento que ele havia sido detido na Bolívia, o Ministério Público em Birigui representou pela prisão preventiva de Edgarzinho.
Ele argumentou que o réu deveria “permanecer com a residência indicada ao Juízo, atendendo aos chamamentos judiciais, de informar eventual transferência e de adotar a postura que se aguarda do cidadão integrado à sociedade”.
Porém, ele foi detido em situação irregular por ausência de preenchimento dos procedimentos migratórios na Bolívia, país produtor de maconha, cocaína e crack e principal fornecedor da droga consumida e traficada no Brasil, segundo o MP.
Protege
Edgarzinho é bastante conhecido da polícia em Araçatuba. Ele esteve preso acusado de participar do assalto transportadora de valores Protege, em 1997, quando foi roubado R$ 1,7 milhão.
O gerente da empresa foi sequestrado e obrigado a entrar com a quadrilha no prédi, na ocasião.
Em 2000, ele fugiu da penitenciária de Mirandópolis e em 2001 a polícia foi informada da suposta morte dele, que foi recapturado em 2003, em São Paulo.
Ele é investigado ainda por participação indireta no assalto à Protege, em outubro de 2017, em Araçatuba, quando uma quadrilha aterrorizou a cidade e explodiu a sede da empresa. Na ocasião, um policial civil foi morto.
Informante
Por ter informações sobre a cidade e a respeito do funcionamento da empresa, Agnaldinho teria sido a primeira pessoa a ser procurada pela quadrilha, mas após a morte dele, Edgarzinho teria assumido esse papel.
Ele só não teria participado diretamente do assalto por ter sido preso em Birigui antes, segundo a DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Araçatuba.