“Eu não consegui entender o motivo porque eu fui presa. Se eu fui presa por causa do vídeo, se eu fui presa por causa da pomadinha que eu fiz para a minha filha ou se realmente eu sou uma criminosa”.
Essas foram as palavras da influenciadora digital Elisângela Maria Rosa, 45 anos, que recebeu a reportagem do Hojemais Araçatuba nesta segunda-feira (17), para falar sobre a prisão dela, ocorrida na semana passada.
Muito conhecida nas redes sociais como “ Elisa no Japão”, ela foi presa em flagrante pela Polícia Civil de Birigui (SP) na terça-feira (11), após denúncia de que seria responsável por um laboratório clandestino usado na fabricação de cosméticos sem autorização dos órgãos competentes.
Elisa obteve o direito à liberdade provisória na manhã seguinte, durante a audiência de custódia, mas o prédio onde funcionaria o suposto laboratório segue interditado pela Vigilância Sanitária, pois ela não possuía alvará da Prefeitura.
A influencer comentou que não entende porque o caso dela está sendo investigado como crime hediondo, com pena prevista de até 15 anos de prisão em caso de condenação, pena mais alta até do que a do tráfico de drogas. “Química não tem, não estou fabricando remédio. O que eu tenho lá tem no mercado. Tudo o que eu faço é pra mim”, argumentou.
Dano irreparável
Ainda investigada, Elisa comentou que receber a visita da polícia como aconteceu foi uma situação chocante, pois ela nunca havia imaginado passar por algo parecido. “É um dano irreparável, é como se fosse a dor do luto; a gente nunca supera, mas aprende a lidar com a dor”, declarou.
A influenciadora contou que o prédio visitado pela polícia havia sido alugado cerca de um mês antes, com a intenção de montar uma loja e não uma fábrica. Ainda de acordo com ela, os móveis foram instalados na semana passada e os produtos estavam chegando.
Segundo Elisa, quando a polícia esteve no prédio, havia produtos adquiridos por atacado e comercializados por ela no varejo; uma linha de produtos com a marca própria, que viria envasado por uma empresa com a qual ela possui contrato; e produtos industrializados que ela apenas revende.
Mal-entendido
Sobre os produtos manipulados, que teriam resultado na prisão, ela acredita que houve um mal-entendido. Elisa explicou que como influencer digital, desde 2015 ela sempre fez vídeos do tipo: “faça você mesmo”. “Sempre ensinando fazer alguma coisa, ou é fazer uma ikebana, que é uma arte japonesa, ou é fazendo uma macarronada diferente, ou é fazendo um cosmético, então eu sempre fiz isso, eu não comecei ontem”, argumentou.
A influenciadora afirmou ser uma pessoa muito ligada a produtos naturais e declarou que tudo o que ela produz é 100% natural. “São vegetais, manteigas, óleos vegetais e óleos essenciais”, explicou.
Ela comentou ainda que desde 2015 estuda sobre a ação desses produtos e as publicações feitas por ela são nesse sentido. “Se você pesquisar no Google, você vai encontrar milhares de pessoas ensinando o que eu ensinava, entende. Então eu acho que no meu ponto de vista, acho que houve essa confusão, de pegar um vídeo recente que eu havia feito”, acrescentando que se tratava de uma receita de pomada, que chamou de “receita da vovó”.
Perseguição
Elisa confirmou que desde que chegou ao Brasil, em novembro do ano passado, depois de passar 25 anos no Japão, tem sido alvo de várias denúncias, entre elas de maus-tratos, que levou a receber a visita do Conselho Tutelar. “Eu tenho passado vários constrangimentos não é de hoje. Eu tenho na Polícia Civil uns dez boletins de ocorrência” , comentou.
Segundo a influenciadora, a pessoa que estaria tentando prejudicá-la conseguiu entrar em contato com o banco e cancelar todas as contas dela, bloquear os cartões, teve até a internet da casa dela cancelada.
Elisa disse que não faz ideia de quem seja essa pessoa e explicou que além dos boletins de ocorrência, tem um advogado com ação pedindo a quebra do sigilo de redes sociais e empresas de telefonia para tentar identificar o autor. “Estou aguardando a Justiça” , comentou.
Futuro
Questionada sobre o que pretende fazer de agora em diante, Elisa afirmou que irá abrir a loja. “Eu vou montar uma loja lá, eu vou continuar”, afirmou. Ela reforçou que não tem laboratório no prédio que foi interditado pela Vigilância Sanitária, com prazo para recurso.
Segundo a influenciadora, esse espaço era usado apenas como cenário para fazer os vídeos. “Então, todos os produtos que estão lá dentro, todos eles têm a documentação; a minha empresa ela não é ilegal, ela tem o CNPJ Ltda”, afirmou.
Para Elisa, o que faltou, talvez por falha dela, foi o alvará e a licença de funcionamento. Porém, argumentou que pretendia entrar com pedido dessa documentação após finalizar a montagem da loja, que ainda não estava aberta ao público.
O advogado Jerônimo José dos Santos Júnior, que atua na defesa da influenciadora no caso, reforçou que a loja estava fechada, enquanto a advogada Keilla Dias Takahashi, argumentou que os produtos que seriam vendidos pela internet são regularizados.
Elisa disse ainda que tem um técnico responsável para responder pela loja, o qual deve passar a atuar assim que o estabelecimento entrar em funcionamento.
Por fim, agradeceu às seguidoras que mandaram mensagens se solidarizando, dizendo que o que aconteceu com ela serve para incentivá-las a não desistir dos sonhos. “Tudo isso que aconteceu comigo acredito que é um aprendizado, é tudo um propósito” , finalizou.
