O hacker araçatubense Patrick César da Silva Brito, 29 anos, foi preso na Sérvia (Foto: Reprodução)
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O hacker araçatubense Patrick César da Silva Brito, 29 anos, que estava foragido da Justiça de Araçatuba (SP) havia vários meses, foi preso pela Polícia Internacional na Sérvia, onde estava morando. Denunciado à Justiça por invasão de dispositivos eletrônicos e extorsão contra o prefeito Dilador Borges (PSDB) e a primeira-dama Deomerce Damasceno, ele teve a prisão preventiva decretada pela Justiça de Araçatuba (SP) por persistir cometendo os mesmos crimes contra vítimas no Brasil, estando fora do País.
Segundo o que foi apurado pelo
Hojemais Araçatuba
, ele responde a outro inquérito que tramita na 1ª DIG/Deic (Delegacia de Investigações Criminais da Divisão Especializada de Investigações Criminais) de Araçatuba, acusado de ameaçar policiais civis. O objetivo, de acordo com o que foi apurado pela reportagem, seria desacreditar os responsáveis pela operação Raio-X, deflagrada pela Seccional de Araçatuba.
Patrick teria inclusive montado um dossiê com falsas informações sobre a investigação e tentado vendê-lo a advogados pelo valor de R$ 5 milhões de dólares. Também teria procurado jornalistas e apresentando esses documentos, para tentar emplacar notícia falsa comprometendo os policiais.
Invasão
O prefeito e a primeira-dama de Araçatuba procuraram a polícia no início de janeiro de 2021, para denunciar que no final de dezembro do ano anterior tiveram e-mail e as redes sociais Instagram e Facebook hackeados.
Em seguida, eles passaram a receber mensagens pelo WhatsApp exigindo o pagamento de R$ 70 mil, sob argumento de que seriam publicadas no Facebook de Deomerce, informações sobre o prefeito, com o intuito de prejudicá-lo política e pessoalmente.
O hacker também teria usado a conta no Facebook da primeira-dama para postar mensagens se passando por ela, prometendo divulgar fatos relevantes sobre o prefeito e demonstrou conhecer detalhes da rotina deles.
Identificado
Menos de um mês após o registro da ocorrência a Polícia Civil de Araçatuba cumpriu mandados de busca expedidos pela 2ª Vara Criminal, a partir de investigação do Seccold (Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro), que identificou Patrick como sendo o autor das invasões e da extorsão.
Os mandados foram cumpridos por equipe do GOE/Deic (Grupo de Operações Especiais) que encontrou o investigado na casa dele, na rua Padre Nóbrega, no bairro São Joaquim. No imóvel foi apreendido um notebook, um celular, dois passaportes em nome dele, um vencido e o atual, e um crachá de visitante da Embaixada Americana sem nome.
Na ocasião também foram apreendidos R$ 10 mil em dinheiro, que Patrick alegou ser de um empréstimo feito pela mãe dele, pois ele pretendia viajar para a Europa. Sobre o crachá, o investigado alegou que havia visitado a Embaixada Americana em Brasília e ficado com ele.
Em janeiro do ano passado Patrick foi detido pela Polícia Civil de Araçatuba com R$ 10 mil em dinheiro (Foto: Arquivo)
Confessou
Segundo a polícia, ao ser levado para a delegacia na ocasião, Patrick confessou ter hackeado as contas das redes sociais do prefeito e da primeira-dama para extorqui-los. Contou ainda que havia hackeado a conta de uma advogada e se auto intitulou como hacker, afirmando não ter outra fonte de renda lícita.
Após ser ouvido ele foi liberado, mas o inquérito teve andamento e o delegado chefe da 1ª DIG/Deic (Delegacia de Investigações Gerais) relatou o inquérito à Justiça, quando Patrick passou a ser réu nesse processo.
Após ir para a Sérvia, hacker continuou praticando crimes
A Polícia Civil de Araçatuba apurou que após mudar para a Sérvia, com o inquérito ainda em andamento, o hacker Patrick César da Silva Brito continuou cometendo os crimes de invasão de dispositivos e de extorsão contra vítimas no Brasil. Por isso, a 1ª DIG/Deic de Araçatuba representou pela prisão preventiva dele referente ao inquérito que investiga os crimes contra o prefeito e a primeira-dama.
A prisão dele foi decretada pela Justiça e um segundo inquérito foi instaurado pela 1ª DIG/Deic de Araçatuba, também com a representação pela decretação de medidas cautelares, que o proibissem de acessar as redes sociais, a internet e aplicativos de mensagens, como o WhatsApp. As medidas foram decretadas pela Justiça, mas teriam sido descumpridas.
Perigoso
Segundo o que foi apurado pela reportagem, Patrick tem alto poder de convencimento, por isso é considerado de alta periculosidade. Após invadir as redes sociais e contas das vítimas, ele passa a exigir dinheiro mediante extorsão.
No caso de vítimas do sexo masculino, por exemplo, o hacker passaria a ameaçar divulgar na internet, fotos nuas da mulher e das filhas da vítima, que acabava cedendo às chantagens e repassando dinheiro.
Ameaça a policiais
Além de continuar cometendo os crimes de invasão de dispositivo e extorsão, após ter a prisão preventiva decretada Patrick teria passado a ameaçar policiais civis de Araçatuba. Ele teria produzido um dossiê com informações falsas sobre a investigação da Operação Raio-X e oferecido a advogados, tentando vendê-lo por 5 milhões de dólares.
Também teria procurado veículos de imprensa e tentado emplacar reportagens com base nessas falsas informações, para desacreditar a polícia.
O
Hojemais Araçatuba
teve acesso a documentos que teriam sido produzidos por Patrick no início de novembro deste ano, quando foi procurado por um homem investigado por extorsão. Mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça para endereços relacionados a ele foram cumpridos em novembro do ano passado, quando foi apreendida uma arma de fogo e outros objetos.
Ao procurar a reportagem, um ano depois, esse investigado pediu direito de resposta, alegando que teria sido vítima de uma armação da polícia. Disse ainda que Patrick teria hackeado o celular dele, pois teria se tornado um colaborador da Polícia Civil após ter admitido ter invadido as contas das redes sociais do prefeito e da primeira-dama.
O investigado disse ainda que ele mesmo teria ido atrás de Patrick na Sérvia, o qual teria confessado a ele toda a armação da Polícia Civil e inclusive apresentado provas. O homem apresentou folhas impressas com fotos de um celular com supostas trocas de mensagens de Patrick com policiais civis, que seriam do dia do cumprimento do mandado de busca na casa dele.
Fake
Após ser procurada por esse investigado, a reportagem apurou que a própria polícia havia recebido cópias dessas supostas mensagens e constatado que seriam montagens feitas por Patrick. Já morando da Sérvia, ele também teria passado a mandar e-mails de tom ameaçador a policiais civis e passado a difamá-los.
O objetivo principal, segundo o que foi apurado pela reportagem, seria desacreditar a operação Raio-X. O delegado que coordenou essa operação inclusive foi alvo de Fake News, por meio de divulgação de mensagens de que ele teria sido afastado do cargo e estaria sendo investigado pela corregedoria. O
Hojemais Araçatuba
publicou uma nota a respeito desse caso na semana passada.
Todo material colhido pela polícia com relação a essas falsas informações foi anexado nesse segundo inquérito instaurado, que tramita em segredo de Justiça. A reportagem apurou que ele investiga os crimes de extorsão, ameaça, difamação, entre outros.
Caça a hacker vinha sendo realizada há meses
A prisão de Patrick aconteceu na última sexta-feira (23), após ele ser encontrado na região de Belgrado, capital da Sérvia, pela Interpol (Organização Internacional de Polícia Criminal). Entretanto, a reportagem apurou que ele vinha sendo
“caçado”
havia meses.
Após descobrir que ele estava naquele País, a Polícia Civil de Araçatuba comunicou a Justiça, que incluiu o nome dele na
“Red Notice”,
que é o
“Alerta Vermelho”
da polícia internacional
.
Antes mesmo dessa comunicação a DIG/Deic de Araçatuba vinha tentando localizá-lo e, por meio do Setor de Inteligência, com técnicas de investigação, apurou possíveis localizações dele em Belgrado. Durante as investigações, também foi apurado que o hacker era procurado e vinha sendo investigado por supostos crimes cometidos contra cidadãos daquele país.
As informações sobre a possível localização de Patrick foram compartilhadas com a Interpol, que após cerca de 20 dias de buscas conseguiu encontrá-lo e prendê-lo e apreender celulares e outros dispositivos eletrônicos encontrados com ele.
Extradição
Segundo o que foi apurado pela reportagem, já tiveram início os procedimentos para pedir a extradição de Patrick para o Brasil. O processo administrativo é burocrático e envolve o Ministério da Justiça.
A DIG/Deic de Araçatuba também pedirá à Justiça local, que seja solicitado à polícia da Sérvia, o compartilhamento do conteúdo encontrado nos equipamentos eletrônicos apreendidos com o investigado, para dar sequência à apuração dos crimes cometidos contra as vítimas no Brasil e tentar identificar possíveis comparsas e contatos dele para a prática desses crimes.
Não há previsão de data para Patrick ser trazido para o Brasil, porém, o depoimento dele será importante para esclarecer outros crimes.
Policial afastado
A Polícia Civil de Araçatuba investiga também o possível envolvimento de um agente de polícia da Deic com Patrick. Esse policial estaria colaborando com o hacker, compartilhando informações, por isso, foi afastado das funções e a conduta dele está sendo apurada pela Corregedoria da Polícia Civil.
A reportagem apurou que a investigação nesse caso é sigilosa, mas investiga possíveis crimes de violação de segredo de Justiça e extorsão.