Polícia

Idosa é presa acusada de desaparecer com passaportes de vizinha em Birigui

Imagens mostram mulher de 81 anos usando objeto para arrastar a pasta que havia sido jogada na área da casa da vítima

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
16/07/22 às 21h17
Pasta foi recuperada, mas estava sem documentos (Foto: Divulgação)

Uma mulher de 81 anos foi presa na tarde deste sábado (16), em Birigui (SP), por desaparecer com documentos de uma vizinha, no bairro Jardim Stábile. Eles estavam em uma pasta que havia sido jogada na área da casa da vítima. A pasta foi encontrada na residência de outro vizinho, mas estava vazia.

Um homem de 34 anos contou à polícia que no início da tarde foi até à casa da sogra dele, na rua Lino Tonsig, chamou pela esposa dele e pela sogra, mas não foi atendido. Como elas não estavam em casa, ele jogou a pasta pela grade na garagem da casa.

De acordo com ele, nesta pasta havia três passaportes de cidadania espanhola, sendo dois da esposa dele e um do sogro, já falecido. Ainda segundo a vítima, foram gastos aproximadamente R$ 50 mil para a obter toda documentação original utilizada para retirar a cidadania espanhola, que também estaria na pasta.

Furto

De acordo com ele, quando a esposa e a sogra chegaram ao imóvel, cerca de dez minutos depois, a pasta com os documentos havia desaparecido. A família pediu a um vizinho para ter acesso às imagens da câmera de segurança instalada no imóvel e, para a surpresa de todos, viram que a vizinha de 81 anos havia pego a pasta.

As imagens mostram que a ação demora pouco mais de dois minutos. A idosa aparece atravessando a rua e colocando a mão pelo vão da grade. Ela volta para o outro lado da rua e retorna segurando o que aparenta ser um pedaço de madeira.

A mulher utiliza esse objeto para tentar arrastar a pasta que está no interior da garagem da casa da vizinha, mas não consegue, por isso atravessa novamente a rua no sentido à casa dela.

Porém, ela surge novamente segurando o objeto, com o qual desta vez consegue arrastar e pegar a pasta azul de documentos, com a qual deixa o local.

Negou

As vítimas disseram que procuraram a idosa, que negou ter pego a pasta e autorizou a entrada na casa dela. Elas não encontraram os documentos, mas localizaram o vestido utilizado pela idosa durante o furto.

A Polícia Militar foi chamada e em busca pelas imediações encontrou a pasta jogada no quintal de uma casa que faz fundo com o imóvel da investigada. Os policiais aguardaram a chegada desse vizinho, que autorizou a entrada na residência. Ao pegar a pasta, ela estava vazia.

Ao ser apresentada na delegacia, o delegado Eduardo Lima de Paula, que presidiu a ocorrência, exibiu as imagens para a idosa. Em seguida, ele a questionou sobre o crime e ela admitiu ser a pessoa que aparece indo até à casa da vizinha por duas vezes e saindo do local levando uma pasta azul.

Porém, nega ter usado o objeto para retirar a pasta azul do interior da casa, alegando que a pasta que aparece nas mãos dela nas imagens lhe pertencia.

Chave

A idosa alegou que foi à casa da vizinha para tentar falar com ela e pedir que devolvesse uma chave que estaria com a vítima havia oito anos. Segundo a investigada, ela já teria pedido essa chave por três vezes, mas a vizinha não devolve. 

A idosa alegou que ao chamar no portão não foi atendida. Sem saber se a vítima estava ou não em casa, ela decidiu pegar um pedaço de pau e bater no portão com força para chamar a atenção dos moradores, mas mesmo assim ninguém apareceu.

Como não conseguiu falar com a vizinha, ela disse que voltou para casa, tomou um banho, trocou de roupa e saiu para ir em uma horta. Foi quando ela foi abordada pelo genro da vizinha, que a acusou de ter pego os documentos, o que nega ser verdade, afirmando ser inocente das acusações, apesar das imagens.

Presa

Para o delegado, a investigada demonstrou ter rancor em relação à vizinha e intenção de prejudicá-la de alguma forma, por supostamente não ter devolvido uma chave da casa dela. Além disso, alegou que a mulher teria mudado o jeito de tratá-la após a morte do marido. 

Ele cita que a idosa é pessoa bem articulada e nega a fornecer qualquer informação sobre os documentos que desapareceram. Diante das evidências, ele decidiu pela prisão em flagrante pelo crime de supressão de documento, previsto no artigo 305 do Código Penal. 

Como a pena em caso de condenação varia de 2 a 6 anos de prisão, não houve direito a fiança na fase policial e a investigada permaneceu à disposição da Justiça.

O delegado Eduardo Lima de Paula informa que nos dez anos de carreira, foi a primeira vez que ele prendeu uma pessoa com 81 anos de idade e esse foi primeiro flagrante por esse crime.

Vestido usado pela idosa foi apreendido para perícia (Foto: Divulgação)
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