A polícia civil de Araçatuba (SP) voltou a receber nesta semana, denúncias de pessoas que assinaram contrato de investimento em criptomoedas com uma empresa instalada em um edifício comercial na avenida Brasília.
Segundo os denunciantes, após cumprimento de mandados de buscas na sede da empresa e em residências de pessoas ligadas a ela, em Birigui, as parcelas referentes ao contrato deixaram de ser pagas.
Nesta semana, foram registrados pelo menos dois boletins de clientes que estão nessa situação. O caso mais recente é de uma corretora de 39 anos, moradora no bairro Paraíso.
Ela contou que fez três investimentos, totalizando R$ 185 mil e, desde então, sacou quatro parcelas de R$ 9.750,00 cada e uma parcela de R$ 12 mil, o que corresponde a R$ 51 mil.
De acordo com a corretora, a última parcela foi resgatada em janeiro de 2020, justamente o mês em que foi realizada a operação pela Delegacia Seccional.
Sumiu
A mulher alega que após o cumprimento dos mandados, tentou entrar em contato com a diretor da empresa, mas não é atendida.
Ainda de acordo com ela, o que as pessoas que atendem na empresa alegam é que os pagamentos serão feitos pelas empresas responsáveis pelo seguro previsto em contrato.
Entretanto, ao fazer contato com as seguradoras, estas também se eximem da responsabilidade pelo pagamento dos valores investidos.
Lavrador
Na terça-feira (28), um lavrador de 76 anos, morador no bairro rural Água Limpa, em Araçatuba, também registrou boletim de ocorrência contra essa mesma empresa.
Acompanhado do advogado, ele esteve na delegacia e disse que assinou contrato em 1.º de julho de 2019, após ser procurado por duas funcionárias da empresa oferecendo investimentos.
Após conhecer a proposta, o lavrador investiu R$ 88 mil em criptomoedas, com promessa de receber juros de 8% ao mês sobre o valor total, divididos em parcelas mensais.
Metade
O investidor disse que resgatou seis parcelas de R$ 7.072,00 cada uma, totalizando R$ 42.432,00, mas os pagamentos foram suspensos em janeiro, após a operação da Delegacia Seccional.
Ele também alega que desde então não consegue contato com a empresa investigada, que manda procurar as seguradoras, mas nada de receber os valores investidos.
Além de registrar o boletim de ocorrência, a defesa do lavrador moveu ação judicial pedindo entre outras coisas, o bloqueio de bens dos investigados no valor de até R$ 130 mil; que o contrato seja rescindido pela Justiça; e que o valor investido pelo lavrador seja devolvido integralmente.
Estranheza
O Departamento Jurídico da empresa afirma que os boletins de ocorrência registrados causam estranheza, pois ela é idônea, possui todos os registros nos órgãos federais, estaduais e federais, recolhendo os impostos devidos.
“A empresa vai tomar todas as providências cabíveis contra os autores das denúncias por prática de possível crime, tendo em vista que não ocorreu estelionato” , informa.
Ainda de acordo com a empresa, os próprios denunciantes relataram à polícia que os contratos possuem seguro e foram oferecidas as cartas de fiança para que os investidores possam acionar a seguradora, confirmando que não há crime.
Além disso, o Departamento Jurídico informa que existem decisões judiciais já favoráveis à empresa, entendendo tratar-se de um investimento de risco.