A Vara da Infância e Juventude de Penápolis (SP) determinou a internação do adolescente de 14 anos, flagrado fazendo apologia ao massacre ocorrido em uma escola em Suzano (SP) ocorrido no último dia 13.
O garoto foi detido no dia 19, quando a polícia encontrou uma réplica de fuzil e um facão na casa dele, armas com as quais ele fez foto e publicou nas redes sociais.
Segundo a Promotoria da Infância e da Juventude, o estudante tem histórico problemático e no ano passado, explodiu uma bomba em outra escola. Com a decisão, ele deverá permanecer em uma unidade da Fundação Casa por pelo menos 45 dias.
O adolescente foi detido após alunos da escola na qual ele estuda informarem à direção da instituição que ele estava publicando fotos alusivas ao massacre em Suzano, que resultou em dez mortos, incluindo os dois responsáveis pelos ataques.
Em uma dessas publicações há uma foto dos assassinos no chão, com a legenda: “Bye bye vou dormi até amanhã pra quem for na escola”.
Após a denúncia, o Conselho Tutelar e a Polícia Militar foram chamados, falaram com a mãe do estudante, que informou que o menino tinha uma réplica de fuzil em casa.
No imóvel a polícia apreendeu a arma de brinquedo, dois socos ingleses, uma faca tipo canivete e o facão sem cabo, além do celular dele.
Na representação pelo pedido de internação, a Promotoria de Justiça cita que em agosto do ano passado, o adolescente acendeu uma bomba dentro da sala de aula e a explosão quebrou o vidro da janela, causando dano ao patrimônio público. Na ocasião, ele confessou a autoria da ação.
Apologia
Também foi confirmado que após o ataque em Suzano, o adolescente fez publicamente nas redes sociais WhatsApp e Facebook, apologia aos homicídios. O ato foi feito por meio da publicação da foto com a réplica de fuzil, usando máscara semelhante a uma foto postada por um dos autores do massacre em Suzano.
Essa foto foi publicado no WhatsApp, com a frase “hm mas que horas é seu recreio?”. Ele fez outra publicação com a foto de uma pessoa morta em uma escola, supostamente um aluno, com os dizeres: “Hora da sonequinha” e “Bye Bye vou dormi até amanhã pra quem for na escola”.
A polícia encontrou ainda um vídeo gravado por ele no qual tentava imitar um dos envolvidos no massacre de Suzano. Ele declarou ainda que “gostou da forma como os envolvidos no ataque a escola de Suzano planejaram o crime, porém afirmou que não faria o que eles fizeram, pois não teve nexo”.
Comportamento
Foi constatado ainda que o estudante faltou bastante às aulas nos últimos meses, que possui problemas de relacionamento com a mãe e desvios de comportamento, inclusive tendo manifestado desejo de aprender fazer um coquetel molotov.
O adolescente revelou ainda ter sido usuário de maconha, que fuma cigarros e tem problemas com o consumo excessivo de bebida alcoólica.
No celular do menino foram encontradas inúmeras fotos de armas de fogo e de canivetes e vídeos dos massacres de Suzano, na Nova Zelândia e em Columbine.
Decisão
Ao determinar a internação, o juiz entendeu que “está mais do que comprovado que pelo perfil anarquista do adolescente, contrário às normas e política atuais, sobretudo nas instituições que estudou e também pela sua simpatia aos atentados ocorridos em Suzano e na Nova Zelândia, ele encontrou uma forma grave de se vingar da sociedade, podendo a qualquer momento praticar ato semelhante, levando em conta ainda seu perfil suicida, sem apego a própria vida e também pela satisfação pelo medo e sofrimento alheios”.
O magistrado argumentou ainda que deve ser levado em consideração o prazer que o garoto nutre em se tornar famoso, ao revelar que com a possível prática de um atentado, a exposição dele seria muito maior.
“A internação caberia em caráter preventivo para se evitar uma possível tragédia. Por outro lado também cabe para a proteção ao próprio adolescente, que vive em comprovada situação de risco, dada a repercussão do caso”, finaliza.