Uma mulher de 24 anos, moradora em Guararapes (SP), foi parar na delegacia na tarde de quarta-feira (18), acusada de agredir os filhos dela. Mãe de quatro crianças, duas delas foram encontradas com lesões. A mulher nega.
Consta no boletim de ocorrência que era por volta das 16h quando o Conselho Tutelar recebeu denúncia de que na casa da investigada havia três ou quatro crianças apanhando até perder o fôlego.
Quando os conselheiros chegaram o local, já havia uma equipe da Polícia Militar presente. A equipe constatou que um menino de 7 anos tinha um ferimento na cabeça e estava chorando.
A mãe alegou que as crianças haviam se machucado brincando, mas ele fez sinal com a cabeça, indicando uma vassoura, e falou que a mãe dele havia acertado a cabeça dele com o objeto.
Os conselheiros notaram ainda que uma menina de 8 anos tinha uma mancha roxa no olho esquerdo e um pequeno corte. Nesse caso, a criança relatou que a irmã dela, de 5 anos, teria batido a ponta de uma faca no olho dela, que correu e bateu o olho.
As duas crianças foram levadas para o pronto-socorro, onde os conselheiros foram informados por um denunciante de que a investigada agride as crianças com muita frequência. Segundo a denúncia, ela inclusive bateria a cabeça delas na parede.
A equipe do hospital decidiu manter o menino internado, em observação, enquanto a menina foi liberada após atendimento e ficou com a avó.
Reincidência
Esta não é a primeira vez que o Conselho Tutelar recebe denúncia de maus-tratos por parte desta mãe contra os filhos. Cerca de dois meses atrás, houve denúncia de que a mulher estaria sendo agressiva com os filhos e teria mordido o rosto da menina de 5 anos.
Na ocasião, os conselheiros receberam uma foto de uma marca vermelha no rosto da criança. Durante atendimento, eles constataram que a outra filha, de 8 anos, tinha várias manchas roxas pelo corpo.
Questionada na época, a mulher alegou que os filhos dela eram muito arteiros e se machucavam sozinhos. A versão foi confirmada pela avó materna, que mora em uma casa no mesmo terreno, e pelo pai das crianças, que não reside mais com elas.
Foi oferecido atendimento psicológico para a investigada, que recusou. A família foi encaminhada ao Cras (Centro de Referência de Assistência Social).
Negou
Ao ser levada para a delegacia na quarta-feira, a mãe das crianças voltou a negar que os filhos dela sejam vítimas de agressão. Sobre o ferimento no olho de uma das filhas, disse que não a levou ao hospital porque era apenas um
“risquinho”,
apesar de ter amanhecido com uma mancha roxa no dia seguinte.
Já com relação ao menino ferido, ela alegou que os filhos brigavam, por isso, arremessou uma vassoura sem cabo contra a parede para fazer barulho. Porém, essa vassoura teria voltado e atingido a cabeça da criança, causando sangramento.
Nesse caso, ela não havia socorrido o menino por falta de tempo, já que uma vizinha teria ouvido ele chorando e chamou a polícia. A mulher alegou ainda que não precisa de atendimento psicológico e confessou que já bateu nos filhos dela, mas para corrigi-los, sem deixar marcas ou lesões.
“Foi somente tapinhas”
, disse.
Investigação
O delegado que atendeu a ocorrência entendeu não haver motivo para prender a investigada em flagrante, devido à necessidade de obter mais informações, ouvindo testemunhas e as próprias crianças.
Ele argumentou que informalmente a menina disse que o ferimento no olho dela não foi causado pela mãe, mas entendeu que é necessário instaurar inquérito para apurar suposto crime de lesão corporal contra o menino. Por isso, será instaurado inquérito e o caso encaminhado ao Ministério Público.
Afastamento
O Conselho Tutelar informou à polícia que as crianças seriam retiradas dos cuidados da mãe e entregues à avó materna e a uma tia, que residem em casas no mesmo terreno da investigada, as quais assumiram a responsabilidade de cuidar das crianças e de protegê-las.
Houve contato com o avó paterno, com o pai e demais tias das crianças, mas todos alegaram não terem condições de abrigá-las. O órgão considerou que seria inviável abrigá-las, por serem apegadas à mãe e um dos meninos exigir cuidados especiais.