Polícia

Médico dono de adega ‘milionária’ foi denunciado por suposta fraude contra a Prefeitura de Birigui em 2006

Vereador alegou que ele era contratado pela Prefeitura e sócio de empresa que prestava serviço ao município

Lázaro Jr. - Hojemais Arçatuba
07/10/20 às 12h40
Adega de médico de Birigui foi destaque no Fantástico, durante reportagem exibida no domingo (Imagem: Reprodução)

Apontado com braço direito do médico anestesista Cleudson Garcia Montali no suposto esquema criminoso para desvio de dinheiro público da área da Saúde, o também médico da cidade, Lauro Henrique Fusco Marinho, foi denunciado ao Departamento Jurídico da Câmara e ao Ministério Público em 2006, por suposta fraude.

Na ocasião, o então vereador José Fermino Grosso o acusou de manter negócios com a Prefeitura, apesar de funcionário público, o que é proibido por lei.

Dr. Lauro, como é chamado, ficou conhecido nacionalmente por ser um dos principais personagens da reportagem exibida pelo Fantástico, da Rede Globo, no último domingo (4), sobre a Operação Raio X, deflagrada na semana passada pela Polícia Civil de Araçatuba.

O médico, que é de Birigui, apareceu em vídeo dentro de uma piscina e foram exibidas imagens de uma adega existente na casa dele, avaliada em mais de R$ 1 milhão.

Adega

A reportagem apurou que a adega foi encontrada na casa dele, no Condomío Passaredo, em Birigui, durante cumprimento de mandado de busca na terça-feira (29), quando também foi cumprido o mandado de prisão temporária de Dr. Lauro, como ele é conhecido.

Nela foram encontradas diversas bebidas importadas de alto valor, a qual foi trancada com chave, que foi apreendida para posterior perícia, apesar de a busca ter sido acompanhada por equipe do Instituto de Criminalística.

Na casa dele foram apreendidos ainda dois veículos, um Jeep Renegade e um BMW, três bolsas e diversas caixas com relógios e óculos, além de nove relógios de diversas marcas e modelos e um expositor de relógios em madeira, aneis, brincos e pulseiras.

Dinheiro

Durante as buscas também foram apreendidos valores em dinheiro de vários países, como Pesos Argentinos; dois mil dólares (EUA); 20 libras esterlinas (Reino Unido); 200 Afrika Borwa (África do Sul); 85 Dirhams (Emirados Árabes Unidos); e R$ 9.220,00.

Tudo que foi apreedido seria periciado, inclusive os veículos, que foram recolhidos e encaminhados ao pátio de um guincho.

Empresa

Quando foi denunciado pelo vereador em 2006, Dr. Lauro exercia a função de chefe de Seção do Pronto-Socorro, cargo comissionado, mas também seria sócio proprietário da empresa Gemebi Gestão Médica de Birigui, que era contratada pela Santa Casa.

O hospital estava sob intervenção da administração municipal desde 1993 e a empresa que seria do investigado prestava de serviços médicos na unidade de atendimento de urgência e emergência.

Irregularidade

Segundo a denúncia feita na época, o médico havia assumido a chefia do pronto-socorro em novembro de 2002 e recebia salário R$ 1.404,00 da Prefeitura. Além disso, a empresa da qual seria sócio receberia R$ 80 mil mensais do município para oferecer dois médicos atendendo por 24 horas.

O contrato estaria em vigor desde fevereiro de 2003 e a Santa Casa era responsável por fornecer a estrutura física, equipamentos, medicamentos e materiais necessários, além dos demais funcionários.

A reportagem não conseguiu informações sobre o resultado dessa denúncia.

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Condenado

Na semana passada, o Hojemais Araçatuba publicou matéria sobre a condenação de Cleudson pelo TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo), justamente por uma empresa da qual ele era sócio proprietário manter contrato com o AME (Ambulatório Médico de Especialidades).

A irregularidade teria ocorrido entre 2008 e 2010, período em que o réu foi diretor técnico do DRS-2 (Departamento Regional de Saúde) e a Clínica de Anestesiologia Birigui, da qual seria sócio, foi contratada para prestar serviços no ambulatório.

Na época, o AME era administrado pela OSS (Organização Social de Saúde) Santa Casa de Araçatuba, que também o contratou.

Sentença

O TJ-SP determinou a perda da função pública de Cleudson, que fica proibido de contratar com o poder público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário.

Ele também foi condenado a pagar multa no valor de 10 vezes a remuneração recebia na época das fraudes e ressarcir o valor recebido indevidamente, junto com outros condenados.

Cabe recurso dessa decisão.

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