* Matéria atualizada às 15h55 para constar a informação do supermercado de que o suposto autor não é gerente, mas sim, funcionário do setor adminisitrativo da empresa
A produtora cultural Flávia Nascimento dos Santos, 23 anos, moradora no Jardim Sumaré, em Araçatuba (SP), denunciou à polícia que foi vítima de racismo e agredida enquanto fazia compras no supermercado Coopbanc, na tarde de terça-feira (2).
Ela acusa um homem que disse ser gerente do estabelecimento de ter apertado o pescoço dela e tê-la expulsado do estabelecimento dizendo: "este supermercado não é para você, se retire e não volte nunca mais!".
A cliente disse que foi ao mercado por volta das 14h30, iniciou suas compras e percebeu que um homem que não vestia uniforme do estabelecimento passou a segui-la.
Incomodada com a situação, ela questionou essa pessoa, que se apresentou como segurança e alegou que a conduta, considerada abusiva por ela, tratava-se de procedimento interno.
Racismo
Quando questionava o segurança sobre o motivo de apenas ela estar sendo seguida, o gerente da loja se aproximou.
Ela contou a ele que se sentiu incomodada com a situação, pois a atitude abusiva poderia ser confirmada pelas câmeras internas do estabelecimento.
Entrentanto, disse que enquanto tentava diálogo com o segurança, em tom de voz alterado ele disse "tudo é racismo, e vocês são uns frustrados" .
Ainda segundo a mulher, na sequência, o gerente do supermercado passou a agir de forma truculenta e irredutível, mandando que se retirasse do estabelecimento.
Ofendida
Revoltada com a situação, por se sentir ofendida em sua integridade, ela disse que soltou a compra e foi atacada fisicamente pelo gerente, que a agarrou pelo pescoço com as duas mãos.
Em tom de voz agressivo, ele ainda teria mandado ela se retirar da loja, disse para nunca mais voltar e de forma truculenta e violenta, a conduziu até a saída do estabelecimento, onde disse que o supermercado não era para ela.
A vítima argumentou que enquanto conversava com o gerente, contou que não era a primeira vez que se sentia perseguida no supermercado. De acordo com ela, ele teria declarado que "perseguir pessoas suspeitas pelos corredores era um protocolo da empresa”.
E teria falado ainda: “se esse tipo de situação acontece, esse supermercado não é para você, procure outro”.
Protesto
Ainda na tarde de terça-feira, a produtora publicou um vídeo nas redes sociais relatando o ocorrido (veja no final da matéria).
Diante da repercussão, em pouco tempo passou a circular também pelas redes sociais, a convocação para um protesto pacífico contra o ato considerado racista, marcado para as 10h desta quinta-feira (4), em frente ao supermercado.
Os organizadores pedem aos participantes que compareçam com máscaras e que seja respeitado o distanciamento, garantindo a segurança de todos, por conta das medidas de precaução da covid-19.
Nota
Na manhã desta quarta-feira, a Coopbanc divulgou nota por meio da assessoria de imprensa, na qual cita que sente profundamente pela situação ocorrida e como a cliente se sentiu. Segundo o estabelecimento, a segunda pessoa envolvida no caso não seria o gerente, mas sim, um funcionário do setor administrativo.
“Entendemos que todas as pessoas devem ser tratadas com respeito, independentemente do gênero, raça, idade ou orientação sexual”, informa a nota.
Ainda de acordo com o supermercado, o funcionário envolvido no caso foi imediatamente afastado das funções.
“A Coopbanc informa, ainda, que está discutindo e reavaliando todos os procedimentos internos de segurança para que situações como essa não ocorram novamente, reorientando sempre a prática pelo respeito”, finaliza a nota.