O pedreiro Givanildo Vieira dos Santos, 31 anos, que morreu soterrado na queda das paredes de dois barracões em construção no bairro Concórdia 3, em Araçatuba (SP), na tarde de terça-feira (3), lavava a betoneira para encerrar o expediente quando foi atingido.
A informação foi dada à polícia pelo pedreiro contratado para a obra. Ele contou que assinou contrato com os proprietários dos terrenos em 28 de julho, para construir dois barracões, um deles abrigaria uma oficina mecânica e o outro, um depósito.
Para auxiliar no serviço, ele contratou outro pedreiro e Santos, que atuava como servente, responsável por fazer a massa de concreto.
Contou ainda que conheceu a vítima por ela ter feito trabalhado na construção de uma área de lazer no mesmo quarteirão e ter executado um bom trabalho. O Hojemais Araçatuba falou com a proprietária dessa área de lazer na terça-feira ela também elogiou o serviço feito pela vítima.
Ainda segundo encarregado da obra, no momento do acidente, Santos lavava a betoneira para ir embora, pois por volta das 15h o tempo mudou de repente.
Disse que quando a vítima lavava a betoneira, ouviu um forte barulho e pensou que era um trovão. Ele estava sobre um andaime e ao olhar para trás, viu a primeira parede caindo e atingido a outra, que dividia os dois salões.
Ainda de acordo com a testemunha, ao ver que a parede caía, Santos correu em direção ao andaime onde ele estava ao invés de correr para fora da construção. Ele foi soterrado e parte da parede também bateu nas costas do responsável pela obra, que não se feriu com gravidade.
A testemunha confirmou à polícia que todos trabalhavam sem os EPIs (Equipamentos de Proteção Individual).
Sem projeto
O responsável pela obra afirmou que a construção estava sendo feita de forma correta e que o vento forte teria provocado o desmoronamento.
Disse que a cada três metros de parede, feita com bloco estrutural, havia uma viga vertical, e a cada um metro de altura, uma viga horizontal. Entretanto, alegou que por elas serem embutidas fica a sensação de que não há pilar de sustentação.
Apesar disso, informou que não havia projeto para obra, que não era acompanhada por um engenheiro. De acordo com ele, posteriormente, quando fossem dar entrada na documentação na Prefeitura, por meio do ART (Anotação de Responsabilidade Técnica), um engenheiro seria contratado para assinar o documento.
Refazer
Após o local ser periciado, ainda na terça-feira, os bombeiros derrubaram parte da terceira parede que ficou de pé. A Defesa Civil Municipal foi chamada e após vistoriar o local, solicitou uma retroescavadeira que derrubou o restante da obra.
O caso foi registrado como homicídio culposo (sem intenção) e um inquérito irá investigar as responsabilidades.