Polícia

PM prende jovem em lava jato de Birigui com maconha, cocaína e ecstasy

Delegado considerou que ele estaria em um “degrau acima” dos traficantes que vendem pequenas quantidades de droga para sustentar o vício e criou marca própria

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
15/07/23 às 09h59

Um jovem de 18 anos foi preso na tarde de sexta-feira (14) em Birigui (SP), acusado de tráfico de drogas, ao ser flagrado com diversas porções de maconha, cocaína e drogas sintéticas. Ele também poderá responder por posse ilegal de arma de fogo, pois seria responsável por uma arma que foi encontrada em um casa que seria usada por ele.

O flagrante foi feito por equipe da Polícia Militar que recebeu denúncia de que em um lava jato perto da delegacia, na rua Pedro Álvares Cabral, haveria um funcionário com drogas.

No local os policiais encontraram o proprietário do estabelecimento, o primo dele, que foi preso em flagrante, e um adolescente de 15 anos, que trabalharia no local. Segundo a polícia, o proprietário negou a existência de drogas no local e autorizou a entrada.

O investigado teria confessado que guardava drogas em uma pochete para vender, enquanto o adolescente estava apenas com um celular. Na pochete indicada pelo acusado havia 16 pinos com cocaína, identificados com um adesivo com o rosto do personagem “Shrek” . Também havia quatro saquinhos com pó branco, 69 comprimidos de ecstasy e 12 da droga sintética denominada MD.

Os policiais relataram que o investigado disse que venderia cada pino com cocaína a R$ 10,00, sem o conhecimento do patrão dele.

Correspondência

Segundo a polícia, na sequência das buscas foi encontrado um pacote de Sedex com identificação do destinatário e o primo do dono do lava jato teria dito que havia comprado os comprimidos de droga sintética em parceria com o adolescente, que teria pago R$ 300,00 a ele. O adolescente teria confirmado o pagamento inicialmente, mas depois mudou a versão, vindo a negar.

Ainda de acordo com a polícia, o acusado teria informado que na casa dele, no bairro Jandaia, havia mais drogas. A companheira dele teria autorizado a entrada da equipe no imovel, onde foram apreendidas quatro porções de maconha, uma garrafa de uísque com “lança perfume”, uma munição calibre 380, três comprimidos de ecstasy, dois pedaços de folha com 35 selos de LSD e dois cofrinhos com R$ 442,00 em dinheiro.

Outra casa

Os policiais que apresentaram a ocorrência relataram que durante as buscas, notaram que na casa do investigado havia uma câmera de segurança virada para uma edícula sem moradores no outro lado da rua.

A equipe decidiu fazer buscas nessa casa e encontrou uma carabina de pressão aparentemente modificada para calibre 22; 20 pedaços de maconha; dois pedaços de cocaína em pedra; um tijolo e meio de maconha; 290 pinos com cocaína com o adesivo do rosto do Shrek; e 13 saquinhos com cocaína.

Junto havia petrechos utilizados no fracionamento e embalo das drogas, entre eles, 12 peneiras, pinos e saquinhos vazios “ziplock”, rolo de plástico filme e cartelas com o adesivo do rosto do Shrek. 

Versões

Após todo material ser recolhido os policiais levaram os três para a delegacia, onde o acusado disse que trabalha no lava jato do primo desde outubro do ano passado, junto com o adolescente. Ele negou que a droga encontrada no estabelecimento fosse dele ou que tivesse assumido a posse do entorpecente.

Também disse que não autorizou os policiais entrarem na casa dele e negou frequentar o outro imóvel, que ficaria em um terreno quatro casas para baixo da casa dele.

O adolescente confirmou que trabalha no lava jato há aproximadamente três semanas, apesar de frequentar o local há mais tempo. Disse que é usuário de maconha, mas não estava na posse da droga e negou vender entorpecentes.

Ele negou ainda ter dito aos policiais militares que havia dado dinheiro ao colega de trabalho para comprar drogas. 

Preso

O delegado que presidiu a ocorrência decidiu pela prisão em flagrante do investigado por tráfico de drogas e posse ilegal de arma de fogo. Ele ainda representou pela conversão da prisão em preventiva.

Para isso, levou em consideração que o acusado demonstra que pratica o tráfico de drogas como meio principal de fonte de renda. "... já se encontra em um 'degrau acima' dos traficantes que tão somente vendem pequenas quantidades de droga para sustentar o vício".

Pesou ainda contra o investigado que ele estaria com drogas incomuns na rotina policial de apreensões da cidade, que fracionava e embalava as drogas que vendia e teria criado uma marca, usando o adesivo com o rosto do Shrek para diferenciar o produto, o que seria típico de associações criminosas.

O adolescente foi liberado após ser ouvido, mas teve o celular apreendido para perícia.

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