A Polícia Civil deflagrou na manhã desta quarta-feira (17), uma operação para cumprimento de mandados de buscas e apreensão e três mandados de prisão temporária, contra acusados de tráfico de drogas.
Entre os investigados está um policial militar, que foi alvo de mandado de busca e apreensão. Ele é investigado, por ter sido acusado de ajudar um dos presos a torturar um jovem.
O crime aconteceu no último dia 9, tendo como vítima um jovem de 18 anos. Na ocasião, ele disse que foi seguro por um policial militar e agredido por um dos presos durante a operação.
Esse preso teria introduzido um cabo de vassoura no rapaz, enquanto ele era seguro pelo policial, e em seguida passado a agredi-lo com socos.
Investigação
Após o caso ser denunciado à polícia, um inquérito foi instaurado e o Ministério Público concordou com o pedido de decretação das prisões temporárias de três acusados e de dos mandados de busca.
Eles foram concedidos pela 2.ª Vara do Fórum de Guararapes e cumpridos nesta manhã.
Um dos presos é um eletricista de 24 anos, morador no bairro Industrial; o segundo um homem de 41 anos, morador no Jardim Cinquentário, também em Guararapes; e o terceiro um desempregado de 24 anos, morador no bairro Aviação, em Araçatuba.
Nesse caso, o mandado de prisão foi cumprido por equipe do GOE/Deic (Grupo de Operações Especiais da Divisão Especializada de Investigações Criminais).
Segundo apurado pelo Hojemais Araçatuba , um dos presos temporariamente também será indiciado por tráfico de drogas, pois durante o cumprimento do mandado de busca, os policiais encontraram porções de cocaína e dinheiro com ele.
Caso
Segundo a vítima, ela foi abordada por policiais militares em 23 de abril e levada para a delegacia porque estava com um revólver de brinquedo na cintura.
Ao término do registro da ocorrência, já na frente da delegacia, o jovem disse que mostrou para os policias militares, conversas que tinha no celular, referentes, ao tráfico de drogas, pois já havia trabalhado para um dos presos na operação.
Disse ainda que além de vender drogas para esse acusado, quando precisava, entregava as drogas nas casas dos outros dois presos.
Fotos
De acordo com a vítima, na ocasião os policiais militares fotografaram as conversas. Passados cerca de 20 dias, ele foi abordado pelo suposto traficante para o qual disse ter trabalhado.
Segundo o jovem, o acusado estava acompanhado do policial militar investigado, os quais o obrigaram a entrar em um carro e seguiram até a casa do suposto traficante de drogas.
Chegando à residência, o acusado quis saber o que ele havia dito na delegacia. Ao responder que não havia falado nada, o investigado mostrou as fotos da vítima e das conversas no celular dela, fotografadas pelos policiais militares naquela noite.
Segundo o que relatou à polícia, tais fotos foram enviadas para um grupo fechado de policiais militares.
Tortura
Após exibirem as fotos, o jovem teria sido seguro pelo policial militar e torturado pelo outro investigado.
Ele contou que após a tortura foi embora e não contou para ninguém por medo e por vergonha, apesar das dores causadas pelo cabo de vassoura que teve introduzido no corpo.
Porém, no dia 29 de maio ele foi surpreendido por policiais militares com dez pinos de cocaína. Segundo a vítima, o investigado por tráfico, que havia torturado ele dias antes, estava lhe mandando mensagens com ameaças de morte.
Ainda de acordo com o jovem, quando ele foi pego com a droga, no dia 29, esse mesmo investigado mandou mensagem com os seguintes dizeres: “eu deixei avisado para quem te ver descer a madeira”.
Ao ser prego com a droga, o rapaz decidiu contar para os policiais sobre a tortura ele foi levado para a Santa Casa. Após atendimento médico e antes de ser apresentado na delegacia, ele foi levado para a Companhia da PM, onde prestou depoimento para um policial.
Consumo
Sobre a droga, ele disse na delegacia que comprou para uso próprio, com dinheiro do auxílio emergencial.
Ainda de acordo com a vítima, na ocasião não foi revelada a tortura sofrida à Polícia Civil por orientação do policial militar, que informou não haver necessidade de novo relato, por ter prestado depoimento à PM. Entretanto, no dia 9, ele foi à delegacia após ser orientado por policiais militares.
O Hojemais Araçatuba apurou que a Corregedoria da Polícia Militar já instaurou procedimento para apurar a conduta do policial investigado.