Polícia

Polícia conclui que filho encomendou morte da mãe e do padrasto por questões financeiras

Daniel já vinha planejando os assassinatos desde fevereiro do ano passado, quando se envolveu com um espiritualista e chegou a fazer trabalhos espirituais; depois, pagou R$ 15 mil para uma dupla executar os crimes

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
24/01/23 às 12h05

A Polícia Civil de Araçatuba (SP) relatou à Justiça o inquérito relativo ao duplo assassinato ocorrido na noite do último dia 13, no bairro Primavera, e concluiu que o filho do casal, Daniel Cantarani Sorrentino, 36 anos, encomendou a morte da mãe e do padrasto por questões financeiras.

Magali Cantarani Luz, 61 anos, e o companheiro dela, Lourival Aparecido Poletti, 56, foram mortos com golpes de cabo de machado, na residência onde moravam, na rua José Xavier Couto. O corpo dela foi encontrado caído na garagem do imóvel e o dele, dentro do porta-malas do carro, também na garagem.

O delegado responsável pela investigação, José Abonizio, concedeu entrevista coletiva nesta terça-feira (24) e informou que apesar de o caso já estar com o Ministério Público, a polícia ainda aguarda documentos, como a verificação se havia algum seguro de vida em nome do casal.

Ainda de acordo com o delegado, a investigação apurou, por meio da análise do conteúdo encontrado nos celulares dos acusados dos crimes, inclusive conversas que foram recuperadas, que desde fevereiro do ano passado o filho do casal planejava a morte da mãe e do padrasto.

"O que está certo é que desde fevereiro do ano passado ele vinha planejando um modo de matar a mãe e o padrasto", revelou Abonízio.

Trabalho espiritual

Uma das tentativas, segundo o que foi apurado pela polícia, foi por meio de trabalhos espirituais. Daniel teria recebido orientação de um suposto espiritualista, com o qual se envolveu, e chegou a promover rituais, como ficar nú em cemitério.

Ainda de acordo com o que foi informado, esse suposto espiritualista seria pessoa de Araçatuba, porém, as conversas eram mantidas por meio do Skype, utilizando um telefone internacional, o que dificulta a identificação. Quando não foi consumado nenhum crime, essa pessoa não é considerada investigada.

Pagamento

Como Daniel não conseguiu concretizar sua intenção, que era matar a mãe e o padrasto por meio dos trabalhos espirituais, ele então contratou outros dois homens para fazer o serviço.

De acordo com o que foi apurado pela polícia, um desses homens é de Birigui, o outro de Guararapes, e o filho do casal prometeu pagar R$ 40 mil para cometerem os assassinatos.

Ele chegou a pagar R$ 15 mil, que foram transferidos mediante Pix, porém, após receber o dinheiro, os contratados teriam desistido. Essa dupla foi ouvida pela polícia nesta terça-feira e confirmou ter recebido dinheiro para matar o casal.

Ainda de acordo com o delegado, Daniel continuou insistindo com a dupla para que cumprisse com o que havia combinado, que era a execução do casal.

Plano B

Ao mesmo tempo, ele passou a convencer Renato Balbino de Souza, 37, acusado de executar os crimes, e Helenice Nascimento Alves, 40, acusada de ser mentora intelectual e ter fornecido medicamentos para dopar as vítimas, a cometerem o crime, mediante a possibilidade de ganharem muito dinheiro.

Abonízio contou que o filho do casal mantinha a promessa de pagar a eles de R$ 200 mil a R$ 400 mil. Pela legislação, devido aos acusados terem sido presos em flagrante, o prazo para que o inquérito seja relatado é de 10 dias.

Por isso, a polícia ainda apura qual seria a fonte desse possível dinheiro e aguarda confirmação sobre um possível seguro de vida em valor elevado. O que já foi confirmado é que havia um seguro de vida em nome do padrasto do acusado.

Esse seguro é no valor de R$ 36 mil, mas estava inativo, mas a polícia não sabe se Daniel tinha conhecimento disso.

A investigação também confirmou que o filho do casal queria que os cadáveres fossem ocultados. Isso seria feito incendiando o carro com os corpos dentro, utilizando a gasolina que havia sido comprada por Renato.

Ele deixou o galão com o combustível na calçada da casa que fica na frente da residência da vítima, onde ficou aguardando o sinal verde de Daniel para entrar no imóvel e assassinar o casal. Também foi constatado que o combinado era de que o dinheiro do seguro do carro ficaria com Renato.

O delegado José Abonízio concedeu entrevista coletiva para falar da conclusção do inquérito (Foto: Lázaro Jr./Hojemais Araçatuba)
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