Polícia

Polícia considera série de equívocos caso de criança entregue por escola a pessoa que não era da família

Caso foi registrado como não criminal porque homem que recebeu a criança é inimputável e não teria capacidade de distinguir que o menino não era o sobrinho dele, que já havia sido levado pela mãe

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
22/08/23 às 18h34

O caso envolvendo uma criança de 3 anos que foi entregue a uma pessoa que não era da família em uma escola de educação infantil de Araçatuba (SP), na tarde de segunda-feira (21), foi considerado uma “série de equívocos”, pela Polícia Civil, que inicialmente registrou um boletim de ocorrência não criminal.

Também foi levado em consideração que o homem a quem a criança foi entregue na escola é pessoa inimputável, ou seja, não pode ser julgado pelos atos como uma pessoa comum, devido a sua condição de deficiente mental. A Secretaria Municipal de Educação já informou que adotou as medidas necessárias para apurar o ocorrido. 

A reportagem apurou que por volta das 17h30 o homem com 53 anos chegou à escola municipal Camila Tomashisky para buscar o sobrinho dele, a pedido de um irmão que estaria hospitalizado. Esse homem não sabia que a mãe da criança havia estado na escola mais cedo para pegá-la, devido a um quadro de febre. 

Como as duas crianças têm o mesmo nome, o agente escolar entregou ao homem o menino, sob argumento de que ele teria confirmado que se tratava do tio dele, mesmo sem terem nenhum grau de parentesco. 

Além disso, o homem que recebeu o menino é deficiente mental, interditado e não teve discernimento para saber que não se tratava do sobrinho, mas de outra criança com o mesmo nome e características. O equívoco só foi descoberto quando o pai do menino foi à escola buscá-lo e foi informado que o filho dele havia sido entregue a um tio.

Houve uma situação de pânico quando o pai do estudante informou que não teria nenhum familiar com o nome do homem à qual ele havia sido entregue e a Guarda Municipal foi acionada para dar início às diligências para tentar localizar o menino.

Choro

Segundo o que foi apurado, após pegar a criança na escola, o homem seguiu com ela para a casa dele, mas os dois permaneceram na frente do imóvel, que estava fechado. O menino teria passado a chorar, chamando a atenção de uma vizinha.

A mulher saiu na rua para conversar com o vizinho e, apesar de saber da condição especial dele, não sabia que aquela criança não era o neto do vizinho dela, que estava internado. Ela permaneceu acalmando o menino e teria telefonado várias vezes, tentando falar com a filha dele, para buscar o filho dela.

A mulher só descobriu que o menino não era o neto do vizinho dela quando outra vizinha recebeu mensagem sobre o desaparecimento de uma criança na escola. Elas passaram a comparar a foto divulgada pela internet com a criança e descobriram que o vizinho havia recebido a criança errada.

Ainda de acordo com o que foi relatado, a Guarda Municipal foi acionada, esteve no local com a mãe do menino, que confirmou que tratava-se do filho dela. Segundo o que foi informado, a criança permaneceu a maior parte do tempo com a vizinha e não relatou qualquer problema. 

Querido

Durante o registro da ocorrência diversas pessoas compareceram à delegacia para se manifestar em favor do homem que recebeu a criança na escola, declarando que ele seria muito querido pelos vizinhos.

Segundo o que foi informado, ele aparenta ter idade mental de uma criança e uma sobrinha dele apresentou documentos comprovando que é interditado judicialmente e faz tratamento ambulatorial.

Apesar de aparentemente a criança não ter sofrido nenhuma forma de violência, foi requisitado que ela passasse por exame de corpo de delito e o registro foi feito como não criminal, sem impedimento de alteração caso surjam novos fatos.

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