Um açougueiro de 36 anos, morador em uma fazenda na estrada do Mineiro, em Penápolis (SP), foi baleado na tarde de quinta-feira (3), ao resistir abordagem para cumprimento a mandado de prisão contra ele. Segundo consta no boletim de ocorrência, ele teria partido pra cima dos policiais militares com um facão.
Equipe foi à propriedade em cumprimento a mandado de prisão expedido pela Justiça de Penápolis. O policial que acompanhava o autor do disparo disse ao delegado, que esteve no local, que durante a tentativa de cumprir a ordem judicial, o foragido havia resistido e pegado um facão.
Ele só teria deixado a ferramenta após serem feitos dois disparos. Ainda assim, em seguida o homem teria corrido para um pasto, sendo perseguido até que próximo a uma mata, onde teria tentando agarrar o braço do policial. Nesse momento houve outro disparo e o procurado da Justiça caiu.
Mãe
O delegado também falou com a mãe do foragido. Ela disse que o filho havia chegado do trabalho e estava na área sentado, quando os policiais chegaram em duas motos. Na versão dela, o açougueiro foi atendê-los e ela percebeu que um dos policiais sacou a arma, apontou na direção dele e disse que iria prendê-lo.
Ao ser informado sobre o mandado de prisão, o açougueiro teria saído em direção ao pasto, na parte de trás da propriedade, sendo acompanhado pelos policiais. A mulher disse que entrou na frente do policial, machucou o braço na cerca de arame, mas não conseguiu impedir que os policiais fossem atrás do filho dela, que correu em direção ao uma mata.
Tiros
Ainda de acordo com a mãe do açougueiro, em seguida ela ouviu dois disparos e imaginou que o filho havia sido baleado, por isso correu para dentro de casa.
O pai do capturado disse à polícia que acompanhou os policiais que foram atrás do filho dele, mas quando houve os disparos, ele estava há cerca de dez metros de distância, não tendo visto o que aconteceu.
O local da ocorrência foi preservado para a perícia, que encontrou manchas de sangue na mata, mas não localizou cápsulas de projéteis ou outro objeto de interesse das investigações.
Resistiu
A equipe da Polícia Civil foi ao pronto-socorro, onde soube que o açougueiro foi ferido na barriga e que o projétil transfixou o corpo, mas sem atingir órgão vital. Por isso, não houve necessidade de cirurgia. Apesar disso, ele permaneceu em observação, sob escolta da Polícia Militar.
Mesmo ferido, o capturado confirmou à polícia que pegou um facão ao ser informado que seria preso, mas alegou que logo o jogou no chão e correu para evitar a abordagem. Ele disse ainda que o policial que atirou tem problemas pessoais com ele e que o disparo foi feito quando ele caiu, já no meio da mata, sendo ferido na barriga. O capturado negou ter tentado retirar a arma do policial.
Os policiais militares foram ouvidos na delegacia após retornarem da sede local da Polícia Militar, onde teve início os procedimentos de Polícia Judiciária Militar, sob argumento de que seria caso de crime militar.
Após prestar depoimento eles foram liberados. O caso foi registrado como tentativa de homicídio.
Nota PM
A assessoria de imprensa da Polícia Militar emitiu nota nesta tarde de sexta-feira (4), na qual cita que o procurado da Justiça teria fugido ao ser visto e reconhecido, conduzindo uma moto. Mesmo com apoio de outras equipes, ele só teria sido alcançado na fazenda onde mora.
Ele teria se apossado de um facão, com o qual teria tentando atacar um dos policiais, que atirou duas vezes contra o chão, fazendo com que largasse a ferramente corresse para a mata.
Ainda segundo a nota da PM, o açougueiro segurou o braço do policial, tentando tomar a arma dele, por isso houve disparo, como forma de defesa, que o atingiu na altura do quadril. "Os policiais militares imediatamente acionaram o resgate do Corpo de Bombeiros, sendo que o homem foi prontamente socorrido à Santa Casa da cidade de Penápolis", disse.
Alta
Segundo a PM, o capturado deixou o hospital nesta sexta-feira, foi apresentado na delegacia e permaneceu à disposição da Justiça. A corporação acrescenta que o oficial de plantão de Polícia Judiciária Militar foi até o local, ouviu os policiais militares e familiares do baleado e instaurou Portaria de Inquérito Policial Militar para a devida apuração dos fatos.
"A Polícia Militar reafirma seu compromisso com a defesa da vida, da integridade física e da dignidade da pessoa humana, por meio de treinamentos e aprimoramentos contínuos de seus integrantes, sempre objetivando garantir os direitos humanos fundamentais de todas as pessoas, indistintamente",
finaliza a nota.