Polícia

Sete são presos em nova fase da Operação Raio-X por determinação da Justiça de Carapicuíba

Na cidade teriam sido desviados mais de R$ 10 milhões entre dezembro de 2018 e setembro de 2020; o Ministério Público local ofereceu denúncia contra 14 pessoas, incluindo Cleudson Garcia Montali; foram apreendidos documentos, eletrônicos, valores em dinheiro e bens, entre eles veículos de luxo

Lázaro Jr. - Hojemais Araçatuba
03/07/21 às 11h58
Veículos de luxo estão entre os bens que foram apreendidos neste sábado (Foto: Divulgação)

A Polícia Civil deflagrou neste sábado (3), a quarta fase da Operação Raio X, coordenada pelo Deinter-10 (Departamento de Polícia Judiciária) de Araçatuba (SP) para apurar suposto desvio de dinheiro público da área da Saúde por meio de contratos de serviços com OSS (Organizações Sociais de Saúde).

A pedido da Promotoria de Justiça de Carapicuíba, a Justiça local decretou as prisões de Regis Pauleti, Fernando Carvalho, Arthur Leal e de um empresário cujas iniciais do nome são E.G.A.D. Também foram decretadas as prisões do médico Cleudson Garcia Montali, apontado como líder da suposta organização criminosa; de Marcio Alexandre e Lucirene do Rocio. Eles já estavam presos e respondem outros processos relativos aos mesmos crimes.

A operação neste sábado ocorreu nas cidades de Agudos, Salto e São Paulo, bem como em Curitiba (PR). Foram apreendidos documentos, eletrônicos, valores em dinheiro e bens, entre eles veículos de luxo.

Participaram da atuação de campo policiais civis do Secoold (Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro) da Deic (Divisão Especializada de Investigações Criminais) de Araçatuba; da Deic/Deinter 4, da Deic/Deinter 7, do Dope (Departamento de Operações Policiais Estratégicas) e da Polícia Civil do Paraná.

Ao todo foram convocados 27 polícias, divididos em sete viaturas, que foram acompanhados de promotores de Justiça para o cumprimento dos mandados.

Investigação

A Operação Raio X foi deflagrada em 29 de setembro do ano passado e dezenas de presos são réus em processos que tramitam na Justiça em Birigui e Penápolis. Entre outras coisas, eles são acusados de integrar uma organização criminosa e foram denunciados também por peculato e lavagem de dinheiro.

Ainda de acordo com a investigação, foi apurado que em Carapicuíba, onde a OSS Santa Casa de Pacaembu administrava o Hospital Geral e o AME (Ambulatório Médico de Especialidades), teriam sido desviados mais de R$ 10 milhões entre dezembro de 2018 e setembro de 2020.

Nesta semana, o Ministério Público local ofereceu denúncia contra 14 pessoas, incluindo Cleudson e os apontados como integrantes do núcleo administrativo, Fernando Rodrigues de Carvalho, Regis Soares Pauletti e Valdir Donizete Segato. Segundo a denúncia, Marcio Takashi Alexandre seria e integrante do núcleo chefia.

Mais investigados

A denúncia foi aceita e entre os réus também estão donos das empresas que receberiam o dinheiro público desviado: Adriana Michels Ferreira, Arthur Leal Neto, Cleuer Jacob Moretto, E.G.A.D., Kelly Nogueira Lopes, Lucirene do Rocio Guandeline e Odair Lopes da Silveira. 

Além deles, são réus Darly Dias de Souza Monay e Rodrigo Rio Panini, que seriam funcionários “fantasmas”, recebendo salários sem comparecer aos postos de trabalho. Cada um responderá pelos crimes para os quais concorreram, como organização criminosa, peculato e lavagem de dinheiro.

Os que não tiveram as prisões decretadas responderão em liberdade pelas acusações, mas estão proibidos de acessar sedes ou filiais de pessoas jurídicas que prestam serviços do Poder Público; não podem ausentar-se na comarca de domicílio por mais de 10 dias sem autorização; não podem manter contato com as testemunhas do processo; e não podem exercer função pública ou atividades em pessoas jurídicas contratadas pelo Poder Público.

Todos serão citados para apresentar resposta à acusação, poderão arrolar testemunhas e produzir outras provas úteis à suas defesas. A Justiça já marcou audiência desse processo para 20 de outubro.

Ainda de acordo com o que foi divulgado, todos os denunciados já respondem a ação civil pública pelos mesmos fatos e tiveram seus bens declarados indisponíveis. A investigação ainda prossegue quanto a outros contratos suspeitos e pessoas envolvidas.

Foto: Divulgação
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