Política

Comando do PSDB passa para as mãos da oposição em Birigui

Gilmar Trecco Cavaca foi surpreendido com nomeação de comissão interventora que tem à frente André Luis Moimas Grosso

Aline Galcino - Hojemais Araçatuba
03/04/20 às 13h45
Cavaca deixou cargo de secretário da gestão Salmeirão para se dedicar às eleições municipais (Foto: Prefeitura de Birigui/Divulgação)

O diretório do PSDB de Birigui (SP) está sob comando de uma comissão interventora, que tem à frente André Luis Moimas Grosso, filho do ex-vereador José Fermino Grosso. A diretoria destituída tinha como presidente Gilmar Trecco Cavaca, o professor Gilmar, ex-vereador e ex-secretário da administração de Cristiano Salmeirão (PTB).

A decisão se deu após denúncia de Yvete Aparecida Meloni dos Santos, viúva do ex-prefeito José Roberto dos Santos, o Zé dos Santos, que pediu a intervenção da executiva estadual no diretório municipal.

No documento, Yvete cita infidelidade partidária praticada por Andrey Fernando Servelatti, Cláudio Castelão Lopes, Gilmar Trecco Cavaca, Cleudson Garcia Montali, José Manoel Sanches, Vânia Cordeiro Cavaca e Gilson Treco Cavaca, membros do diretório municipal.

De acordo com a denúncia, nas últimas eleições, todos fizeram campanha em favor do candidato do PSB, Márcio França, e contra João Doria.

Os fatos foram comprovados por imagens extraídas de redes sociais e vídeos gravados durante a campanha eleitoral.

"Foram demonstrados o dolo e a ação antiética dos representados ao evidenciar que tal prática decorreu do fato de possuírem cargo na administração pública municipal, direta e indireta, bem como pelo alinhamento com o prefeito de Birigui (Cristiano Salmeirão), filiado ao PTB, declarado apoiador do ex-governador Márcio França”, diz documento ao qual a reportagem teve acesso.

Yvete justifica o apoio como sendo de interesse pessoal pela investidura ou manutenção de cargos públicos.

Reunião

O pedido foi acatado em reunião da comissão executiva estadual, realizada no último 16 de março. Conforme certidão da Justiça Eleitoral, a diretoria do partido em Birigui teve vigência no período de 25 de março de 2019 a 16 de março de 2020.

Além de Cavaca, faziam parte da diretoria Nei Campelo Cabral (como vice), Vania Cordeiro Cavaca (tesoureira), Cláudio Castelão Lopes e Izaias Fortunato Sarmento (vagais), Miguel Ribeiro, Rosalina Nogueira Lopes e Thais de Área Leão Campelo Cabra (suplentes) e Marcos Antonio Vicentine (secretário), a maioria ligada à atual gestão.

Defesa

A notificação de Cavaca foi feita pelo partido no último dia 27, com prazo de cinco dias para apresentar defesa em relação ao pedido de intervenção e destituição. No entanto, Cavaca entrou com pedido de liminar na Justiça. A ação foi protocolada na última terça-feira (31).

No documento, Cavaca afirma que foi surpreendido com a intervenção no último dia 27, sendo que seu mandato terminaria em 2021.

De acordo com ele, a decisão foi arbitrária e unilateral e contraria o próprio estatuto do partido, que prevê que apenas a executiva nacional pode pedir a intervenção e não a estadual, como ocorreu.

A ação cita que Cavaca é pré-candidato à Prefeitura de Birigui e que o PSDB já tem grupo completo de pré-candidatos a vereadores. Além disso, pesquisas de intenção de voto teriam apontado o nome dele entre os principais postulantes ao cargo.

O pedido de liminar ainda não foi analisado pela Justiça.

Interventores

A comissão interventora ficará no comando do até 16 de setembro deste ano. Além de Grosso, como presidente, estão no comando do partido a denunciante Yvete (tesoureira), Alex Brasileiro, Gabriel Volpi, Guilherme José Meloni dos Santos e Nivaldo Albani (membros); e Benedito Aparecido de Souza (secretário).

Provisória do DEM também foi destituída

No mês passado, a comissão provisória do DEM também foi destituída por ordem da executiva estadual. O partido, que tem entre os integrantes o ex-prefeito Wilson Carlos Rodrigues Borini, era considerado até então a principal oposição à gestão de Salmeirão, que é pré-candidato à reeleição.

De acordo com o presidente destituído da provisória do DEM, Alex Brasileiro, houve tentativas de diálogo com lideranças estaduais do partido, incluindo com o vice-governador Rodrigo Garcia, mas a informação é de que pode ter ocorrido um acordo com o grupo do atual prefeito, pois o novo presidente trabalharia na Santa Casa.

“Quanto à infidelidade que foi ventilada nos bastidores políticos, lembro que o grupo do DEM foi o único a levantar a bandeira na campanha do Doria em Birigui, enquanto o PSDB, em debandada, apoiava e trabalhava para Márcio França”, atacou.

Brasileiro diz que, num primeiro momento, ficou estarrecido por ter sido retirado do partido, mas hoje vê com bons olhos, pois não compactua com o tipo de política praticada por lideranças do DEM, como o deputado federal Rodrigo Maia e o senador Davi Alcolumbre.

“Acredito que eles fazem política em pontos sérios e importantes que são contrários aos anseios da população, parecendo querer mostrar força sem pensar nas consequências negativas para o povo. O nosso grupo, incluindo Borini, caminha para outros partidos, lutando sempre em prol de Birigui”, finalizou.

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